A canalhice é atrevida e audaciosa. Há várias décadas Ruy Barbosa sentenciava: ‘‘De tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver crescer as injustiças, de tanto ver agigantar-se os poderes nas mãos dos maus e dos corruptos, o homem chega a desanimar-se das virtudes, a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto’’.
O golpe assestado por um grupo arrivista e aventureiro contra o deputado federal Luiz Carlos Hauly, negando-lhe legenda partidária para a sua reeleição, atesta a atualidade do pensamento de Ruy Barbosa. O contubérnio político autor dessa infamante ação não perde por esperar. Hauly será candidato e será eleito, com votação consagradora, para mais um mandato na Câmara Federal.
O povo paranaense sabe que sua atuação na política sempre foi caracterizada pela regra elementar de servir ao Paraná. E não servir-se do Paraná. Talvez aí resida uma incompatibilidade inadministrável entre Hauly e seus algozes, verdadeiros ‘‘sepulcros caiado’’. Sua vida pública, iniciada no valente MDB, em 1976, ao se eleger vereador em Cambé, sempre foi exemplar. Em 1982, a sua gente o elegia prefeito, inaugurando um ciclo modernizador, desenvolvimentista e industrializador, que perdura até hoje. Secretário da Fazenda do Paraná, entre 1987/90, equalizou as contas públicas estaduais em um tempo de inflação galopante.
Em 1991, ao assumir o mandato de deputado federal o fez com talento, competência e coerência. Nesses 12 anos tem honrado o Paraná, figurando por quase uma década entre os parlamentares mais influentes do Congresso Nacional, atestado pelos principais órgãos de imprensa nacional.
Num cenário político de mediocridades ululantes, não se perdoa a competência e o talento. Daí o revide, a vingança. Aliado ao fato de que política para Hauly é vocação, jamais profissão. A política como vocação é a mais nobre das atividades humanas; a política como profissão é a mais vil das atividades humanas.
Biografia não se fabrica, se constrói. Luiz Carlos Hauly tem biografia construída na adversidade dos duros combates pela redemocratização do Brasil. Infelizmente alguns dos algozes de hoje, naqueles tempos terríveis, estavam ao lado do arbítrio, das prisões políticas, das perseguições nas longas noites escuras do autoritarismo triunfador. Hoje tentam posar de democratas, mas as recaídas da intolerância estão sempre presente nas suas formações. E o exemplo dado pela comissão interventora do PSDB do Paraná é um exemplo acabado.
Sou filiado ao PSDB paranaense e por cinco anos fui o seu presidente. Disputei o Senado da República, em 1994, pelo partido. Não aceito e me rebelo ao ato ultrajante, agressor da consciência livre e libertária do povo paranaense, agora perpetrado contra esse notável homem público. Votarei em José Serra para Presidente da República, aliás há dois anos já lhe dizia que sua candidatura era imperativa para edificar o Brasil que queremos para o nosso povo.
Os trânsfugas que agora tentam negar legenda ao deputado Luiz Carlos Hauly não conhecem a história. Somos de uma geração que não teme a luta. Não queremos a guerra, mas se ela vier a travaremos, em qualquer campo escolhido. Nossas biografias são de servir à causa pública. Negócios não fazem parte dela. Combatemos no passado e no presente o bom combate. Esse combate, se quiserem travar, tem um nome e uma causa: Luiz Carlos Hauly.
HÉLIO DUQUE é ex-deputado federal e ex-presidente do PSDB do Paraná

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