Paulo Braz, que faz parte da equipe de organização do Festival Internacional de Londrina (Filo), fala à FOLHA sobre as dificuldades para organizar um dos mais reconhecidos eventos culturais da cidade. Alguns espectadores reclamam da demora para a abertura dos locais e início dos espetáculos, além da falta de lugares numerados. Segundo Braz, os atrasos são mínimos, e quando acontecem são por questões técnicas que nem sempre podem ser previstas. Para ele, o público londrinense é bastante compreensivo. ''No geral as pessoas compreendem. É claro que algumas ficam nervosas. Mas dou razão, como público também ficaria. Temos que agradecer a paciência, o respeito, a compreensão e também a colaboração da comunidade com o festival.''

Quais as principais dificuldades enfrentadas pela organização do Filo?
O patrocínio, porque nunca conseguimos captar os recursos suficientes. Isso dificulta porque o festival poderia estar organizado com dois meses de antecedência. Se não há uma verba garantida há necessidade de envolver a comunidade, precisamos de material emprestado. Ficamos um mês antes e até no final do festival em negociação com várias instituições. O bom é que as pessoas abraçam o festival e têm o maior prazer e orgulho em ajudar.

Por que mesmo depois de tantos anos de festival e muitos elogios, inclusive fora de Londrina, ainda é tão precária a estrutura?É porque nós não contamos com o teatro municipal. Não temos salas completamente adequadas para receber os espetáculos ou porque falta equipamento ou espaço suficiente. Só que são as condições que temos, infelizmente, aí a gente se desdobra para fazer o melhor possível.

Em relação à venda de ingressos, por que não se tem uma reserva para ser vendida na portaria do local do espetáculo?
É opção do festival ter uma central de bilheteria em um local estratégico, de fácil acesso. Mas a bilheteria vai para o espaço uma hora antes do início do espetáculo. As pessoas sabem que a bilheteria vai ser aberta e se preparam. Claro que os espetáculos que comportam 60, 180, 200 pessoas vão esgotar primeiro porque a procura é muito grande.

Há reclamações em relação à abertura dos locais de espetáculo. Como programam a entrada dos espectadores?
Procuramos abrir 15 minutos antes do horário marcado para o início do espetáculo para que o público possa se acomodar e temos os 10 minutos de praxe de atraso para aqueles que por algum motivo não conseguiram chegar no horário. Mas às vezes acontecem imprevistos. O atraso cria problemas inclusive para a organização, porque temos que atrasar todos os outros espetáculos, muitas pessoas assistem mais de um.

Por que o Filo opta por não ter lugares numerados, mesmo em teatros? Porque contar com a educação do público para respeitar a ordem de chegada é muito complicado.
Claro que gostaríamos de fazer tudo numerado. Como não podemos, por causa da questão financeira, vamos nos adaptando da melhor maneira possível. Além disso há os espaços alternativos que não teria como fazer numerado e temos também uma cota de convites para patrocinadores e apoiadores que é obrigação, inclusive em contrato, não é uma cota absurda porque temos que priorizar o público. Para a equipe facilita não ser nada numerado. As pessoas vão chegar e entrar, as que chegam primeiro vão pegar os melhores lugares. Já ouvi reclamações sobre isso, mas a maioria compreende.

Já pensaram em diminuir o número de espetáculos por dia e estender o festival em uma semana?
Representa um custo muito alto, demandaria uma equipe maior de trabalho. Não teríamos agenda porque depois do Filo temos o festival de música, além disso os teatros têm suas programações. (Leia mais sobre o Filo na Folha2).

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