Qual foi o último livro que você leu? Se a resposta demorou a chegar ou não lembrou de título algum, é bom ficar preocupado. Na disputa por uma vaga no mercado, seja de estágio ou de trabalho, o hábito da leitura ajuda a fazer a diferença, segundo especialistas da área de recursos humanos.
Apesar da constatação, parte dos universitários não parecem muito preocupados. Pelo menos é o que revelou uma pesquisa do Centro de Integração Empresa-Escola (Ciee).
Dos estudantes do ensino superior ouvidos, 20% revelaram não ter hábito de ler. Dos mais de mil entrevistados, 67% afirmam ler jornais com frequência e 96% utilizam a internet.
Para a gerente de recuros humanos Márcia Silva Barzon, a pessoa que têm o hábito da leitura se destaca durante os processos de seleção das empresas por ter uma visão mais abrangente e melhor capacidade de argumentação.
''Quem lê, possui uma condição maior de resposta às situações da vida e do trabalho, uma visão ampliada do mundo. Isso pode fazer a diferença'', explica a gerente, mostrando a postura do profissional que deseja colaborar com o crescimento das empresas. ''Com um vocabulário melhor, a pessoa tem mais facilidade para se colocar, sente-se segura para opinar a respeito de vários assuntos''.
Diante da importância da leitura, as notícias têm papel fundamental no ambiente de trabalho. ''O profissional que não lê notícias não está antenado com o mundo e acaba deixando isto transparente na hora da entrevista de emprego. Como vamos contratar uma pessoa da área contábil, de exportação, que não sabe nem como está a cotação do dólar? Isso atrapalha'', afirma a analista de recursos humanos Jenifer Salviato Ligmanovski.
Facilitador - O hábito de ler faz diferença na vida da assistente de crédito Solange Apolonio, contratada há dois meses para a função. Acompanhante assídua de jornais e revistas, ela se mostra interessada em saber o que está acontecendo no mundo para se atualizar no trabalho.
''A leitura faz a diferença na profissão para quem busca novos conhecimentos, quer aprimorar a linguagem. Faço questão de estar por dentro das notícias da área administrativa, mas leio um pouco de tudo para não focar só no trabalho e abrir a visão para outras coisas'', diz.
A gerente de RH Márcia Silva Barzon alerta que o desenvolvimento da leitura é importante na seleção de profissionais, mas não atua isoladamente. ''É um facilitador, um ingrediente a mais, mas não é fundamental. Nem toda pessoa que lê desenvolve uma excelente comunicação verbal. Isso depende muito também da personalidade e de outras habilidades pessoais'', aponta a gerente.
Márcia lembra que a leitura deve ser hábito, não compromisso. ''Quem lê por obrigação faz apenas por um determinado momento. Os que possuem o hábito, aumentam ou diminuem a quantidade de leitura de acordo com o tempo disponível. Nem que seja para ler um parágrafo por dia, mas acabam lendo''.
Para o professor universitário Marcelo Carvalho, a falta de hábito de leitura está ligada à deficiência existente desde o ensino básico até a universidade.
''As faculdades possibilitam que os jovens permaneçam neste ambiente sem a presença dos livros. A leitura é creditada apenas como um acessório do vestibular. Este reparo da formação precisa ser feito na escola, mas pode ser conseguido também na faculdade. A leitura do livro deve ser parte do cotidiano. Mais do que prazerosa, ela é necessária'', determina. (Com Agência Estado)

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