Habitação, um tema desprezado
Tema recorrente no discurso dos candidatos a prefeito em todo o País, a habitação parece estar relegada a segundo plano na maioria dos municípios do Paraná. Reportagem publicada na edição de ontem da FOLHA aponta que quase 70% das cidades paranaenses não possuem um plano de habitação. De acordo com a Pesquisa de Informações Básicas Municipais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), somente 127 dos 399 municípios do Estado se adequaram à legislação federal e estabeleceram o necessário Plano Municipal de Habitação (PMH). Os gestores públicos eleitos este ano terão, a partir de janeiro de 2013, o desafio de se adequar.
A Lei Federal nº 11.124, de junho de 2005, obriga que Estados, o Distrito Federal e os municípios tenham um plano com especificidades de locais e demandas a serem atendidas para receber recursos do Fundo Nacional de Habitação de Interesse Social (FNHIS) e terem acesso a linhas de financiamento para investir no setor. A Associação dos Municípios do Paraná (AMP) alega que a falta de recursos impede que as prefeituras atendam a legislação. A saída seria uma parceria com o governo do Estado para criar o PMH nas pequenas e médias cidades.
Vale ressaltar que tanto a Constituição brasileira quanto a Declaração Universal dos Direitos Humanos reconhecem a moradia como um direito fundamental de todo cidadão. No entanto, o que se vê na realidade é um cenário nada animador. Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas apontou que o deficit habitacional brasileiro é de 5,8 milhões de famílias. São pessoas que não têm onde morar ou vivem em condições precárias. Já o levantamento da Fundação João Pinheiro (MG) para o Ministério das Cidades indicou uma defasagem de 270 mil moradias no Paraná. Em Londrina a Cohab estima que seria necessário construir 50 mil casas para atender as famílias de baixa renda.
Como mostram os números, o item a habitação é fundamental para atender as necessidades básicas da população. E, portanto, deveria ser tratado com mais seriedade e celeridade pelos agentes públicos. O eleitor, que vem se mostrando cada vez mais exigente e atento à conduta dos administradores, deve exigir que o tema entre de vez na agenda política.





