O sistema penitenciário brasileiro falha em sua principal missão: recuperar pessoas que cometeram crimes, tornando-as aptas a retornarem ao convívio em sociedade. As longas esperas pelo julgamento em cadeias superlotadas e o cumprimento de penas em instituições onde o ócio é a principal atividade só aumentam as chances de que esses homens e mulheres retornem ao crime após acertarem as contas com a Justiça.
  E Londrina conquistou, infelizmente, um lugar de destaque no quesito falta de instalações apropriadas para detentos. ‘‘Hoje considero Londrina o maior problema de superlotação de distritos policiais do Estado’’, afirmou a secretária estadual de Justiça, Maria Tereza Uille Gomes, à reportagem da FOLHA, na última quinta-feira. Ela anunciou medidas para tentar contornar a situação, como a transferência de detentos e a construção de uma Colônia Industrial na cidade.
  Além da falta de espaço físico, também contribui para o agravamento da situação a pouca agilidade da Justiça. Não são raros os casos de pessoas que ficam presas sem ter passado por um julgamento justo ou mesmo depois de conquistarem o direito à revisão de penas.
  Trata-se de uma verdadeira bomba relógio que oferece riscos não apenas àqueles diretamente relacionados à questão, mas também aos cidadãos que moram no entorno dessas instituições. Famílias que precisam aprender a conviver com o medo de fugas e rebeliões, e que se tornam sitiadas em suas próprias casas.
  Investir em instalações que deem o mínimo de condições de vida não é defender luxo para quem está em débito com a sociedade, mas sim proporcionar oportunidade para que essas pessoas sejam reinseridas na sociedade.
  Também é preciso encontrar modelos que tornem esses locais menos dependentes do Estado. Uma saída seria ceder os prédios para que empresas possam utilizar mão de obra dos detentos na produção. Estes reconquistam a dignidade, aquelas ganham em economia.
  Um debate urgente que precisa ser feito e sem demagogia.

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