Há receita para o sucesso?
J. Roberto Whitaker Penteado
‘‘O sucesso é uma ciência. Se você tem as condições certas, os resultados aparecem’’ (Oscar Wilde). Nos últimos dois anos, tenho entrevistado ‘‘pessoas de sucesso’’ para a ‘‘Revista ESPM’’. O que começou como um projeto jornalístico acabou virando livro (‘‘Como Eles Chegaram Lᒒ, Editora Campus, no prelo), pois o enfoque na carreira desses entrevistados acabou revelando alguns padrões de comportamento profissional que podem ser úteis, por exemplo, para os jovens que se iniciam na profissão. Nas respostas obtidas, andei procurando ‘‘receitas’’ para o sucesso profissional e muitas são previsíveis, algumas curiosas e outras surpreendentes.
João De Simoni (De Simoni Associados), por exemplo, acha que o sucesso profissional tem muito a ver com alegria e bom-humor. E, num aspecto mais prático, com o fato de que sempre procurou contratar, na sua empresa, gente potencialmente melhor do que ele. De fato, De Simoni acredita tanto nisso que insiste que aprende mais com seus funcionários do que é capaz de ensinar. Christina Carvalho Pinto (Full Jazz) afirma que não há receitas para o sucesso, para, em seguida, confessar que, no seu caso, foi paixão.
O sucesso nos negócios veio como resultado da busca de realizações mais profundas - que não conta quais são. E Roberto Duailibi (DPZ) mostra-se fiel às origens libanesas quando declara que não há receitas, só há trabalho. Carlos Salles (Xerox), no seu estilo quase ‘‘literário’’ de administrar, forneceu-me uma longa lista de faça e não-faça, que não cabe num artigo, mas permite destacar: o reconhecimento das próprias capacidades e limitações; buscar algo mais do que o interesse - o fascínio - pelas coisas que faz; desenvolver a capacidade de comunicação; ter seriedade no trabalho e mostrar isso a todo mundo o tempo todo; ter a coragem de tomar muitas decisões e, também, ter, sempre, muita paciência. No lado dos não-faça: não adotar o estilo cowboy, não ser arrogante, não ser sabe-tudo, não cair na armadilha dos modismos, não prometer o que não pode cumprir, não enganar as pessoas.
Outro presidente de empresa, Marcos Magalhães (Philips) aposta todas as suas fichas em três condições: uma formação acadêmica sólida, de natureza multidisciplinar; escolher e saber gerenciar os melhores talentos; e buscar os objetivos com consistência e determinação. Mas não deixa de acrescentar a necessidade de ‘‘uma pitada’’ de sorte, que define, contudo, como a combinação de competência com oportunidade.
Francisco Gracioso (ESPM) assume o tom professoral para propor nada menos do que um decálogo para realizar o sucesso profissional: 1. O sucesso não se mede pelo dinheiro; 2. Falar sempre a verdade; 3. Aliar a intuição com a imaginação criadora; 4. Superar as expectativas que os outros têm de você; 5. Evitar aborrecimentos; 6. Pior que tomar o caminho errado é não escolher nenhum; 7. Escolher colaboradores como o maestro rege a orquestra; 8. Evitar surpresas; 9. Não perder tempo se lamentando; 10. Aceitar as companhias da solidão e da inquietude.
É tentador concluir que, apesar das receitas, não há um caminho único para o sucesso. Interessante, contudo, que ninguém menos do que Oscar Wilde, um poeta, escreveu a frase que introduz esse artigo: que o sucesso é uma ciência e, como tal, submete-se às imposições da previsibilidade.
Se eu concordo com isso? Totalmente. Diante da simples enunciação das receitas de algumas pessoas inteligentes e bem-sucedidas, fica evidente que não há uma receita ou um caminho para o sucesso. Mas existe um padrão; existe um jeito que as coisas e os fatos tomam, formatados pela vontade e que favorecem ou facilitam o atingimento de objetivos geralmente relacionado com o ‘‘sucesso’’ em alguma empreitada.
Entre tudo o que foi dito, inclino-me pela ‘‘sacada’’ do presidente da Philips, que não é - sabemos - de sua autoria: sorte é o que acontece quando a competência encontra a oportunidade. E uma frase antiga do meu mestre, Julio Cosi, outro bem-sucedido: o sucesso é o resultado da impaciência com a mediocridade.
- J. ROBERTO WHITAKER PENTEADO é professor universitário e dirigente de escola superior no Rio de Janeiro

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