HÁ 40 ANOS - 29 julho de 1966
Sarjeta: o último porto
Quadros comuns na vida do londrinense, os homens e mulheres caídos nas calçadas constituem o ponto mais íntimo na escala social da pobreza nesta cidade de riquezas enormes e pobreza angustiante. Alheio a tudo, um infeliz jaz, metade na calçada e metade numa rua do centro da cidade; um estorvo para os carros que passam e que poderiam esmigalhar-lhe as pernas e os braços raquíticos. Bêbado? Doente? Poucos param para contemplar sua miséria, fruto do desnível brutal de uma sociedade dinâmica que, em sua corrida para a conquista de um melhor lugar ao sol não tem tempo para socorrer os que caíram pelo caminho. Centro econômico e social de uma vasta região que vê a cada dia diminuído seu mercado de trabalho, Londrina recebe os excedentes da zona rural e de outras cidades norte-paranaenses. E aqui o que fazer? Para o sonho que acabou resta o pesadelo da desesperança, cujo porto é a sarjeta.





