A imagem de um grupo de ingleses munidos de vassouras aguardando a liberação da polícia e dos bombeiros para entrar em área destruída por vândalos, provocou admiração em muita gente. Com uma atitude simples, os londrinos declararam amor pelo bairro que frequentam e mostraram aquela velha capacidade de se reerguer após uma guerra.
A violência foi motivada por questões ainda não totalmente explicadas. O estopim teria sido a morte de um jovem, do bairro de Tottenham, pela polícia, no último dia 5. A informação oficial foi de que ele atirou primeiro, porém, a família da vítima contestou.
Os ataques que se seguiram domingo e segunda-feira perderam a conotação de protesto pela morte do jovem e passaram a ser vistos por vandalismo puro, motivado muito mais pela insatisfação socioeconômica - como o resto da Europa, a Inglaterra também enfrenta corte de orçamentos e sinais de recessão.
São assustadoras as imagens de pessoas encapuzadas incendiando prédios, pequenos comércios, carros e ônibus, saqueando lojas e apedrejando policiais, mas, por outro lado, é admirável ver a resposta da população em se organizar para limpar a sujeira e se reerguer. Nesse conflito, é possível ver as redes sociais sendo usadas para o bem e para o mal. Se o twitter, o facebook e as mensagens via celular foram utilizadas para motivar e reunir os vândalos, esses meios também juntaram a turma da faxina.
Exemplo de disposição também do judiciário inglês, que fez plantão durante dois dias para sentenciar cerca de mil pessoas (a maioria jovens), presas durante os conflitos. O judiciário tentou compensar a demora na ação dos policiais, alvo da crítica da população inglesa.
Grandes protestos têm sido vistos com frequência na Europa por conta da recessão econômica. O verão do Velho Mundo foi marcado por marchas de milhares de pessoas, principalmente, na Grécia e na Espanha. Quando pacíficas e organizadas, essas manifestações se caracterizam por uma legítima forma do povo se expressar. A preocupação é quando se perde a rédea da situação e esses protestos se transformam em guerrilhas urbanas, como ocorre em Londres.

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