Nas guerras costuma-se lamentar quando há mortes de civis, como se os exércitos não fossem constituídos de pessoas humanas. O fato de os combatentes serem profissionais não os converte em objetos, como granadas que explodem e se desfazem em fragmentos.
Povos guerreiros carregam em si heranças cármicas e, não por acaso, aninham-se em zonas propensas a conflitos. Se isso não bastasse, eles têm uma propensão por gerá-los.
O confronto que ora se trava entre Estados Unidos e Iraque não é um fato novo na memória remota dos figurantes em cena. Esses ódios são milenares e tendem a repetir-se, porque muito arraigados e com escassa iluminação para extingui-los. A causa que agora se reproduz gerará novos efeitos no futuro, e assim sucessivamente até que uma das partes decida parar, ou ambas.
George Bush e Saddam Hussein não são, com toda a certeza, homens sábios, porém úteis para os propósitos da guerra. Alguém tem de presidir a guerra que os guerreiros desejam. Porque esta guerra não é apenas de dois homens. Uma guerra não irrompe onde não há ambiente propício. Para povos belicosos, a paz inquieta.
Saddam ambicioso, acuado, inseguro, com natural tendência guerreira, ditador abarrotado de petrodólares e controlador pessoal deles armou-se, ajudado pelos que agora o combatem. Sem dúvida ele constitui uma ameaça para o mundo e para o próprio sistema planetário próximo, e não cederá enquanto quem o obriga é hoje seu maior rival.
Mas a humanidade também pergunta quem desarmará a ainda mais perigosa nação norte-americana, ora comandada por uma clã familiar identificada com ideais de domínio do mundo, de dinheiro, de poder e guerra, que caracterizam a imperial civilização. Afinal, foi a que lançou sobre povoações duas bombas atômicas, com uma terceira na boca do alçapão para também ser lançada.
Há os que defendem os EUA como guardiães da democracia mundial, porém o certo é que os norte-americanos guardam mesmo é a si próprios e, por conta disso, matam e destróem em massa, ferem democracias do mundo e assim disseminam ódios e criam blocos de resistência. Se são grandes agentes dos avanços da tecnologia até porque alcançaram poder econômico e por isso podem arrebanhar cientistas de toda a Terra não são irradiadores de sabedoria e não iluminam o mundo. Por isso fadados a desaparecer como civilização dominante. Não porém sem deixar profundas e dolorosas marcas, porque agora não se lida com flechas e espadas e bacamartes, mas com armas químicas e atômicas, que poderão desequilibrar o eixo do próprio planeta, ou no mínimo disseminar radiação nuclear por todo o globo, com sequelas intermináveis.
WALMOR MACARINI é jornalista em Londrina

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