A escalada do conflito no Irã projeta incertezas sobre o agronegócio paranaense. Em uma economia conectada por rotas marítimas e cadeias globais de suprimento, a instabilidade no Oriente Médio chega rapidamente aos portos brasileiros, aos contratos de exportação e ao custo de produção no campo.

O Irã é o principal destino do milho do Paraná e um mercado relevante para soja e proteína animal. A ameaça ao fluxo pelo Estreito de Ormuz e a alta do petróleo elevam fretes, pressionam seguros e ampliam o risco logístico. Para o setor, há uma corrida contra o tempo. Cada semana de tensão prolongada aumenta a possibilidade de interrupções nas exportações, encarece insumos e dificulta decisões para a próxima safra. A expectativa é de estabilização antes que esses efeitos se consolidem.

Em entrevista à FOLHA, o técnico do Departamento Técnico e Econômico do Sistema Faep, Anderson Sartorelli, resumiu o clima no campo ao afirmar que se o conflito durar mais do que duas semanas com interrupções no fluxo normal de exportações, os agricultores começarão a sentir os efeitos reais. Segundo ele, quanto mais durar esse conflito, e a dificuldade logística, maior será o impacto nas exportações. A declaração traduz a apreensão do setor diante da possibilidade de paralisação nos embarques e aumento dos custos logísticos em um momento decisivo da comercialização da safra.

O cenário preocupa porque o agro tem sido decisivo para o desempenho da economia brasileira. Conforme reportagem publicada pela Folha de Londrina na edição desta quarta-feira (4), em 2025, a agropecuária cresceu 11,7% e respondeu por praticamente um terço da expansão de 2,3% do PIB, segundo o IBGE. Mesmo com participação em torno de 7% na economia, foi o principal vetor de crescimento, impulsionado por safras robustas e ganhos de produtividade.

No Paraná, a agricultura ocupa posição central na geração de renda e na inserção internacional do Estado. A competitividade do setor depende de previsibilidade nas rotas comerciais e estabilidade nos custos de energia e fertilizantes. Uma crise prolongada no Oriente Médio afeta diretamente essa equação.

O desfecho rápido do conflito interessa ao campo paranaense. A normalização das rotas e dos fluxos comerciais é condição para preservar margens, manter embarques e sustentar o ritmo de produção. O agronegócio do Estado, que tem contribuído de forma expressiva para o crescimento nacional, espera por estabilidade para seguir avançando.

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