José Eduardo Andrade Vieira
A insana guerra fiscal que está em curso no Brasil é emblemática. Realmente, é preciso que São Paulo e Rio Grande do Sul retaliem o Paraná por nossa política de desenvolvimento industrial. Coitados, são tão prejudicados que deveríamos perder o sono pela dor de consciência em estarmos prejudicando Estados tão pobres. São Paulo, então, é uma judiação. Rio Grande do Sul, beneficiado por Getúlio, por Médici, por Geisel, parece que não soube aproveitar as oportunidades (expulsou a Ford), com todos os benefícios concedidos pelos ilustres ex. Presidente tem o Paraná (que nunca teve um presidente) em seu calcanhar, ameaçando desalojá-lo de seu lugar na lista do PIB dos Estados brasileiros.
Esses dois Estados acabam por mostrar ao povo paranaense que o governador Jaime Lerner seguiu o caminho correto em seu esforço pela industrialização do nosso Estado. Se estão dispostos a promover retaliações às indústrias do Paraná é porque elas têm uma importância que não foi reconhecida pela comunidade paranaense no momento de sua instalação.
O Paraná, desde sempre, foi o primo pobre dos Estados do Sul. Basta uma rápida olhada no Orçamento da União dos últimos cinco anos e veremos que Rio Grande do Sul e Santa Catarina foram sempre privilegiados, enquanto o Paraná ficou à míngua. E a razão para isto é muito simples. O Paraná é um Estado politicamente fraco, agravado pela oposição praticada por alguns dos políticos que o representam em Brasília. Muitas vezes eles não se contentam em simplesmente não apoiar, mas assumem uma postura radicalmente contra projetos que trariam benefícios ao nosso Estado.
O Governo FHC tem privilegiado São Paulo de uma forma injusta para com os demais Estados da Federação. São Paulo, por sua enorme capacidade de consumir, exerce uma atração irresistível sobre os investidores em potencial. Se não há uma política federal com diretrizes para regionalizar os investimentos está criado o pior dos mundos: o mundo do cada um por si.
Além dos benefícios orçamentários que privilegiam São Paulo, o governo federal saneou o Banespa injetando bilhões nos cofres do seu ‘amigo’ Mário Covas, que não perde ocasião para alfinetá-lo toda vez que as pesquisas apontam fragilidade na popularidade do presidente. Agora, Covas volta seu arco e flecha conta o Paraná, o menos industrializado dos Estados do Sul. Seu amigo e correligionário dr. Franco Montoro é que estava certo: ‘‘Quando se trata da relação entre fracos e fortes, a liberdade escraviza e a lei liberta’’.

mockup