GUERRA DA INSENSATEZ POR QUEM OS SOLDADOS LUTAM
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sábado, 22 de março de 2003
Reportagem Local 
Março de 2003. Noite de quarta-feira no Brasil. Quase madrugada. Os aparelhos de tevê, ligados, ajuntam nas salas das moradias telespectadores ávidos por cenas fortes. Não é decisão da Copa do Mundo e nem final de novela. Tampouco o Brasil entrou numa guerra. Mas as imagens emprestadas de outra parte do mundo mostrarão, dentro em pouco, batalhas teleguiadas.
Mísseis atravessarão os céus e atingirão alvos; alvos abrigarão vidas; vidas serão perdidas em meio a chamas. O baque da poderosa arma ribombará e acobertará gritos de terror e de socorro. Um soldado sorrirá num lado. Outro explodirá em prantos noutro.
A tevê mostrará imagens paradas. É o centro de Bagdá, no Iraque, durante o amanhecer. Lá já será o dia seguinte, aqui ainda será noite do dia anterior. Da tela se ouvirão vozes. De apresentadores prontos para noticiar a grande novidade: ''A guerra foi declarada!'' Mas enquanto a notícia não chega, falarão do pouco movimento das avenidas centrais do palco da guerra: ''Agora um caminhão passando...''
Até que chegará o estridente ruído da sirene antimísseis. Quem estiver dormindo no sofá acordará. Não pelo sirena, mais pelo tom eufórico dos apresentadores: ''A guerra começou!'' E aparecerão clareiras na manhã de Bagdá. Mísseis estarão explodindo e levantarão chamas. Gritos de socorro e de dor não serão ouvidos. Tampouco as gargalhadas dos que enlouquecem nas atrocidades.
Fora da área de combate e longe do senso comum, um homem, o patrocinador do espetáculo de terror, receberá manifestações de apoio e críticas. Ele, que já terá desrespeitado um organismo internacional, dará poucos ouvidos aos apelos de paz. No outro extremo, outro homem tratará de preservar a sua vida, pois colocará a seu serviço soldados, despreparados, desnorteados, amedrontados. Dois tiranos, ditadores do mundo.
Nos campos de areia, soldadinhos marcharão. Defenderão suas pátrias? Não saberão que interesses estarão representando na guerra. Petróleo? Domínio? Controle do mundo e de toda a sua gente? Ou simples insensatez?
Nas páginas 14 e 16, as imagens do terror e os protestos pelo mundo


