As descobertas feitas pela Operação Lava Jato, que completou ontem um ano, indignaram o País, mas não o transformaram. A observação é do Procurador da República Deltan Dallagnol e mostra que não basta punir os culpados apontados nessa maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro da história do Brasil. Mudanças estruturais precisam ser promovidas para que a guerra contra a impunidade e contra os chamados "crimes do colarinho branco" realmente acabe com esse mal, tão enraizado em nossa sociedade. É nesse sentido que amanhã a Procuradoria da República no Estado do Paraná apresentará propostas de medidas jurídicas de combate à impunidade e à corrupção. Elas serão sugeridas por meio da Câmara de Combate à Corrupção do Ministério Público Federal.
Interessante que as propostas anticorrupção da força-tarefa do MPF que trabalha na Operação Lava Jato podem chegar ao conhecimento da sociedade antes do pacote anticorrupção prometido pela presidente Dilma Rousseff no ano passado e anunciado agora para esta semana, após as manifestações populares do último domingo em todo o Brasil. Dallagnol não detalhou que ideias a Procuradoria da República apresentará, mas ressaltou que não se refere a uma reforma política (já que isso é papel do Congresso Nacional) e sim a mudanças estruturais. O procurador lembrou da necessidade de alterações no sistema político e no sistema de justiça criminal.
Conseguir prisões e condenações por enriquecimento ilícito não é tarefa fácil no Brasil e vem daí a admiração pelo número de mandatos de prisão, inquéritos e denúncias apresentados na Lava Jato. Os valores estão sempre sendo atualizados e calcula-se que foram desviados dos cofres da Petrobras cerca de R$ 2,1 bilhões. Os números da Lava Jato são impressionantes. Nestes 12 meses já foram contabilizados 71 mandados de prisão, 215 de busca e apreensão, mais de 80 inquéritos policiais e 320 procedimentos, 36 pedidos de cooperação jurídica internacional e o repatriamento de R$ 182 milhões.
O desvio bilionário na Petrobras foi amplamente citado em cartazes de manifestantes que foram à ruas no domingo passado. O curioso é que a resposta mais imediata para quem protestava contra corrupção veio da Polícia Federal de Curitiba, na segunda-feira, com a décima fase da Lava Jato, que resultou em novas prisões, incluindo a do ex-diretor de Serviços da Petrobras, Renato Duque.

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