Guardiões do centro
A Secretaria Municipal da Cultura de Londrina, através da gerência da Patrimônio Histórico-Cultural, promoverá hoje, às 19 horas, no Museu de Arte de Londrina, a primeira discussão envolvendo tema diretamente relacionado à necessidade de requalificação do centro histórico da cidade.
Nessa ocasião estaremos iniciando, com a coordenadora do Patrimônio Cultural da Secretaria de Estado da Cultura, Maria Luiza Marques Dias, um debate crucial sobre a municipalização da preservação do patrimônio histórico-cultural e, em particular, o caso do centro de Londrina, face ao atual pedido de tombamento de um de seus quarteirões.
Os centros das cidades de médio porte têm como característica a sua multifuncionalidade, ou seja, são locais não só de trabalho, mas também de moradia, de prestação de serviços públicos e, é claro, de fruição de cultura e lazer.
Quando se observa o crescimento exagerado das cidades, percebemos nesta multifuncionalidade, a perda de uma de suas facetas essenciais: a função da moradia, afastando do centro da cidade aqueles que mais afetivamente a ele se ligam.
Ao deixar de ter o morador, o centro acaba perdendo o seu guardião, ficando à mercê apenas de seus usuários: os comerciantes e camelôs e suas clientelas, durante o dia; e os boêmios e marginais durante a noite.
Por vezes em decorrência deste problema, surgem a falta de limpeza urbana, a poluição visual e sonora, a ocupação das vias públicas, os pequenos assaltos e os moradores de rua com sua mendicância ostensiva. Esta convergência e simultaneidade de problemas acaba por levar a área a um processo de deterioração e decadência tornando-a terra de ninguém.
Dessa forma não julgo errado concluir que das suas múltiplas funções, aquela que se torna essencial para que o espaço do centro das cidades mantenha-se vivo (preservado em suas características urbanas e arquitetônicas e a partir disso, ambientalmente saudável) não é outra senão a função habitacional.
Voltando nosso olhar para a cidade de Londrina, observamos que o nosso centro histórico está talvez a um passo da situação acima descrita, ou seja, ele está gradualmente perdendo os seus guardiões. Os mais antigos, que habitavam as casinhas de madeira, vêm de longa data vendendo seus imóveis para a construção de prédios comerciais, o que aliás está acontecendo também com a segunda geração de edificações, estas já comerciais, mas que ainda abrigavam empreendimentos familiares.
Temos também a evasão de moradores do centro em função dos prédios residenciais mais antigos não possuírem garagens para carros que cada vez mais ocupam nossos espaços; e por último, a necessidade cada vez maior que os cidadãos urbanos têm por segurança, promovendo uma corrida para os sistemas de moradia em condomínios fechados e localizados a uma certa distância da região central.
Antes que o pior aconteça, é necessária uma grande discussão com a finalidade de buscar alternativas para enfrentar os problemas citados, através de ações integradas entre os setores público e privado. Somente com o envolvimento de todos aqueles que amam, vivem, convivem e consideram o centro de Londrina importante num processo mais amplo de melhoria da qualidade de vida em nossa cidade, é que se pode apontar critérios e diretrizes que ultrapassem medidas paliativas e/ou maquiadoras da realidade, e que deixam de contemplar, de uma maneira eficaz os aspectos culturais, socioeconômicos e ambientais, que sem dúvida são primordiais para o exercício da cidadania.
A Secretaria Municipal de Cultura, por amar, viver, conviver e considerar o centro histórico de Londrina importante neste processo, convida a todos que comungam desta idéia para um debate que, acreditamos, resulte na formação e fortalecimento de um novo grupo, os novos guardiões do centro. Venha participar.
- VANDA DE MORAES é gerente de Patrimônio Histórico-Cultural da Secretaria Municipal da Cultura de Londrina





