Guardas municipais e sistema viário
Denúncia de um cidadão publicada na seção de Cartas deste Jornal, contra os guardas municipais de trânsito, em Londrina, e os apoios que recebeu na sequência, mostram com esses agentes não desfrutam da simpatia da população. Porque eles próprios criaram essa imagem, já que raramente são vistos exercendo a função de ajuda e orientação, mas estão muito presentes como multadores. Eles são vistos em grupos, no Calçadão onde não trafegam veículos e não se sabe para que fim estão ali, ou meio escondidos nas ruas, certamente para flagrar infratores. Espera-se vê-los bem visíveis, em esquinas de grande fluxo de automóveis e nos pontos de conflito de tráfego, mas lá eles não estão. Os infratores, que existem em abundância, certamente se reduziriam em quantidade se aqueles agentes fossem orientadores e marcassem presença efetiva, abandonando as tocaias. Ademais, a desincronização dos semáforos (o que existe é apenas um arremedo) e a pouca ''inteligência'' deles irritam os motoristas e estabelecem um nervoso sistema viário. A falta de critério quanto ao tempo de verde e vermelho, em vias de escoamento e nas secundárias, demonstra que um estudo sobre o sistema, se existe, não é obedecido, embora trate-se de uma cidade com 180 mil veículos. E não faltam guardas que não ajudam em quase nada nesse sentido, tanto os municipais quanto os estaduais mas estão sempre atentos para multar. Faria bem a Prefeitura se convertesse os seus agentes em policiais municipais e os enviasse para os bairros mais violentos e assim eles colaborassem na prevenção da criminalidade. Mas como essa tarefa não permite arrecadação por via de multas, melhor é tê-los no centro, multando... Não há como aceitar a existência de tais guardas na condição em que hoje operam. De sua vez, os meninos que cuidam da Zona Azul, educados que sejam, também se habituaram a apenas arrecadar, porque não foram ensinados a auxiliar o condutor do veículo na manobra de saída, sempre problemática por falta de visão. Se é certo que eles não são guardas, um algo mais nada custa. Ano novo, vida nova, gente nova nos órgãos afins, então é tempo de uma revisita ao sistema viário e à questão dos guardas municipais de trânsito. Londrina não é mais aquela do tempo das carroças. A cidade precisa de colaboradores, que sejam auxiliares de motoristas e não inimigos à espreita para multar. Que eles exerçam o seu dever por inteiro, e se marcarem presença não apenas como multadores mas como agentes a serviço da melhoria do tráfego, conterão imprudências de motoristas, assim evitando infrações e acidentes. Primeiro que o poder público faça a sua parte, municiando a cidade de mecanismos de trânsito adequados, e depois exerça a função policiadora. Especialistas em tráfego urbano existem, e eles têm soluções inteligentes, mas é preciso buscá-los onde estão e contratá-los para que elaborem pesquisas e projetos, e assim sejam retirados da função os amadores, que imaginam entender de uma questão tão intrincada como o sistema viário de uma cidade grande. Esta é atribuição de graduados em engenharia de tráfego.





