Manuel Joaquim Rodrigues dos Santos

É fundamental ter esperança! Gritar que o "tanto pior melhor" não leva a lugar algum. Faz-se necessário buscar vias de saída. Ninguém tem na manga as soluções idílicas para o País! Mas lendo, vendo e navegando diariamente, observando o barco à deriva se aproximando perigosamente das rochas, entendo que está na hora de alguém sair das sombras e dar início a um processo. Difícil, heroico e verdadeiramente republicano.
A Conselho Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) podem ter este protagonismo. Digo-o com o respaldo da história; inclusive da recente! É preciso promover uma coalizão em torno do país. Em torno da salvação do poder de compra dos brasileiros, do combate à pobreza, do resgate dos rumos de crescimento econômico e de assegurar o êxito do processo de moralização da nação que vem da Justiça.
Essas duas entidades não precisam substituir nenhum ente representativo do processo democrático; apenas exercer a autoridade moral que o povo lhes assegura (em tempos de paz) e trazer para o meio os que podem conduzir esse processo. Existem reformas urgentes a fazer que passam pelo Congresso. Surgem medidas imprescindíveis para combater e prevenir a corrupção. E o principal, o povo – maioria esmagadora – está nas ruas e nas praças desejando um país de verdade em que todos tenham o lugar ao sol e trilhe um caminho de desenvolvimento e seriedade.
A CNBB e a OAB podem promover uma coalizão que não pactue com safadezas nem varra para debaixo do tapete as misérias ontológicas que nos perturbam. Os suspeitos e culpados que sejam conhecidos pelo país – a lei é para todos! O Supremo Tribunal Federal (STF) deve cumprir a missão dele esperada e exigida, com decência e imparcialidade. Sem medo! Os presidentes do Congresso devem responder pelos seus atos e se afastar dos cargos se for o caso. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) pode analisar com objetividade e espírito democrático o processo da última eleição. O Tribunal de Contas da União deve cumprir o seu papel imediatamente expondo a veracidade ou não das suspeitas.
Tudo isso pode parecer tarefa impossível. Mas não é! Apenas que os mecanismos democráticos funcionem normalmente e que pessoas se tornem protagonistas e construtoras de pontes sobre os abismos atuais. Essas pessoas não são anjos! São os que, queiramos ou não, elegemos! É com elas que em primeira mão se deve trabalhar esta coalizão!
Se a presidente Dilma não quer renunciar e a oposição não tem elementos (ou "força) para o impeachment, que se encerre por agora – até à conclusão das tarefas do TSE e do TCU – esse processo de sangria governamental. Dilma fica, mas não sozinha. Ela ficará com um governo de amplo consenso apoiado pelo Congresso no essencial e que promova imediatamente as reformas política e tributária e o enxugamento da máquina.
O Brasil precisa evitar o pior para que, estabilizado econômica e politicamente, expurgue sem medo as mazelas que hoje mais o derrubam: a corrupção e o cinismo da classe política. A intervenção da OAB e da CNBB com outras entidades vem responder ao desejo nacional de se encontrar um árbitro isento nessa partida definitiva para o país! Faz-se necessário afastar do centro do furacão forças antagônicas geradoras de mais tensão e incertezas. A classe política com os seus líderes medíocres e quase todos suspeitos não é infelizmente a melhor, para levar esse barco à deriva, até um bom porto.
Como cidadão, apreensivo com a situação constrangedora do Brasil, aponto como caminho seguro essa intervenção moderadora. Precisamos renunciar ao desejo imediato de expurgar pessoas ou partidos sem alternativas sérias e consistentes!
A premissa do sucesso de uma coalizão desse teor é que não existe o antes e o depois, geradores de desconfiança! Tudo funciona em simultâneo! A Operação Lava Jato, o Congresso apoiando um programa mínimo e a economia respirando a estabilidade política voltará a crescer!

MANUEL JOAQUIM RODRIGUES DOS SANTOS épadre na Arquidiocese de Londrina



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