Grito contra a concorrência chinesa
Normalmente cordial, o brasileiro costuma receber bem as feiras de produtos importados organizadas por empresários estrangeiros. Mas não foi isso o que aconteceu esta semana, em São Paulo, durante a estreia da primeira edição da Go Tex Show - Feira Internacional de Produtos Têxtil, organizada pelo Grupo China Trade Center.
Cansados do que chamam de "concorrência desleal", empresários apoiados pela Associação Brasileira da Indústria Têxtil (Abit) foram para frente do Centro de Convenções do Anhembi, onde o evento acontece, e protestaram contra o que eles chamaram de provocação dos comerciantes asiáticos. Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), as indústrias do setor já demitiram, este ano, cerca de 55 mil trabalhadores. O principal alvo da manifestação foi o governo federal, pela falta de incentivo às indústrias de vestuário.
O setor têxtil é um dos mais prejudicados com a concorrência chinesa, pois os artigos dos asiáticos chegam por aqui bem mais baratos e acabam sendo atraentes para o bolso do consumidor, apesar da qualidade muitas vezes duvidosa. Os produtos nacionais carregam pesada tributação que dificulta a concorrência.
Boa parte dos cem manifestantes usou máscaras e fantasias. O protesto foi pacífico e poderia ser considerado bem humorado, não fosse a gravidade da situação pela qual a indústria têxtil atravessa. A Abit cobrou medidas do governo federal para dar competitividade ao setor, que emprega atualmente 1,7 milhão de pessoas. Nos primeiros nove meses do ano, as importações de vestuário apresentaram aumento de 8,2%, em valor, em comparação com o mesmo período em 2012.
O "grito de guerra" dos empresários e trabalhadores pode não ter sido uma demonstração de hospitalidade com o nosso principal parceiro comercial. No entanto, serviu para chamar a atenção da sociedade e lembrar aos políticos brasileiros que a reforma tributária continua parada no Congresso Nacional.





