GRIPE A - Taxas de mortalidade ainda não podem ser avaliadas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de agosto de 2009
Marcela Rocha Mendes<br>Equipe da Folha 
Apesar de a gripe A H1N1 (vírus tipo A, subtipo H1N1) ser causada por uma variedade nova do vírus Influenza, alguns padrões já puderam ser observados, especialmente em relação às vítimas mais atingidas pela doença: adultos jovens e crianças. A observação é da médica infectologista Ciane Mackert, chefe da primeira casa pólo para atendimento exclusivo e especializado da nova gripe, em São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Doutoranda na Escola Paulista de Medicina e mestre em Epidemiologia de Doenças Infecciosas, ela percebeu, ao avaliar o raio-X de um paciente com a doença, uma incompatibilidade clínica com a imagem. ''As evoluções são muito rápidas, principalmente em adultos jovens e crianças.''
''Quando olhamos na sala de espera, só pela fisionomia de mialgia (dor nos músculos) e a prostração (enfraquecimento extremo) da febre já se desconfia que vem com o quadro de H1N1 ou de gripe sazonal''. Pesquisadora sobre mutação viral em retrovírus (HIV e HVC), a médica conversou com a FOLHA sobre o histórico e o comportamento do vírus Influenza.
Quais as caracteríticas do vírus Influenza?
Ele pode ser dividido em A, B e C. O tipo ''A'' (como o da nova gripe) promove desde a doença moderada até a severa em todas as faixas etárias e é o causador das epidemias históricas. O tipo B é mais leve, não tem registro de epidemias. Os tipos A e B são os mais comuns. A Organização Mundial de Saúde (OMS) possui uma rede de laboratórios que são responsáveis pela captação dos Influenzas circulantes e, assim, pode observar que mudança estrutural ele sofre de um ano para o outro e caracterizá-lo.
Qual foi a epidemia mais perigosa causada pelo vírus Influenza?
Temos em 1918 o vírus Influenza A, causador da gripe espanhola. Foram duas ondas: a primeira que atingiu os Estados Unidos e a Europa, com uma doença leve de três dias de febre e resolução espontânea. A segunda onda - historicamente pior em todas as epidemias - causou devastação e espalhou-se pelo mundo inteiro. Ainda não se sabe qual o causador ou de onde surgiu o Influenza A da Gripe Espanhola. Sabe-se somente que ele matou mais pessoas que a Primeira Guerra Mundial.®MDNM¯ Morreram entre 20 e 50 milhões de pessoas em todo o mundo.
Quais outros tipos do vírus já foram registrados?
O Influenza A H5N1 foi causador de gripes aviárias. Ele ainda não tem transmissibilidade comprovada entre humanos, mas cientistas acompanham as mutações sofridas pelo (subtipo) H5N1, pois estas podem ser fatores de risco para iniciar esse tipo de contaminação. Todos os pacientes que foram contaminados por H5N1 tiveram contato com aves também contaminadas. A gripe A H1N1, foi denominada de gripe suína, pois, no Golfo do México foi identificada em uma criação de porcos. Sabe-se que o H1N1 circulante é uma variação genética de três cepas: a humana, a suína e a aviária, o que faz dele um vírus mais transmissível que o H5N1 puro e mais patogênico que o Influenza circulante. O H1N1 circulante não é transmitido pelos porcos.
O A H1N1 é o mesmo vírus da chamada Gripe Espanhola?
Não se sabe. Sabemos que ele tem a virulência maior que o sazonal. Os estudos genéticos do vírus dizem que essa nova cepa tem uma semelhança com o vírus daquela época, mas não se pode afirmar que seja o mesmo vírus.
Existem registros de outras epidemias com o A H1N1?
A atual epidemia registrada pelo H1N1 iniciou-se no México. As anteriores não são registradas como H1N1.
A mortalidade do A H1N1 atual é mesmo igual ou inferior a do vírus da gripe sazonal?
As taxas de mortalidades serão avaliadas com real clareza quando todos os exames estiverem processados. O que podemos dizer é que uma pandemia de um vírus com um grau de promover doença diferente da sazonal e mais agressivo.
Com base nos históricos, qual a perspectiva de continuidade da pandemia?
A vacina chegará. Ao menos é o que as perspectivas futuras mostram. A preocupação é que, historicamente, sabe-se que a segunda onda dessas pandemias costuma ser pior que a primeira. Acreditamos que, quando o tempo esquentar, irão diminuir os casos de transmissão e esperamos que essa vacina chegue até o próximo inverno.
Que tipos de mutações pode sofrer um vírus Influenza?
As mutações virais são diferenciações em sua árvore genética que alteram o comportamento do vírus. Elas são imprevisíveis, podendo tornar esse vírus ou qualquer outro com maior ou menor virulência e mortalidade.


