Greve nas universidades
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 21 de novembro de 2001
Carlos Alberto Cury Harfuch 
Enquanto as universidades públicas brasileiras estão à míngua, com exceção das três paulistas, as universidades privadas decolam e se tornam uma mina de ouro para os seus controladores. Outro fato importante a se considerar é a migração dos melhores docentes das universidades oficiais para as particulares. Quer dizer, eles se capacitam nas universidades públicas, à custa do erário, e vão trabalhar, efetivamente, nas particulares.
Aí é fácil fazer greve e mantê-la por período indeterminado, pois, de uma forma ou de outra, a maioria dos docentes, ou pelo menos seus líderes, tem como sobreviver de outras fontes de renda, que não apenas a da universidade pública.
Me lembro muito bem, e isso está registrado nas reuniões do Conselho de Ensino Pesquisa e Extensão da UEL e do seu Conselho de Administração, o quanto certos docentes sempre foram contrários ao aumento do número de vagas para todos os cursos da UEL. E, pasmem, a maior resistência sempre veio dos docentes ligados a partidos políticos chamados progressistas.
Ora se não se aumenta o número de vagas nas universidades públicas, quem é que se beneficia? É evidente que o ensino superior de controle privado.
Para a universidade pública a questão levantada acima é crucial para que ela, enquanto instituição, resolva isso. No momento em que ela resolver esse nó, readquire o respeito próprio e tem condições de lutar, de igual para igual, com a elite dominante.
Ensino superior, ou de qualquer nível, jamais deveria estar subordinado às regras do mercado. Perversa selvageria de uma sociedade chamada civilizada, a prima obra da sociedade capitalista ocidental.
É assim que vamos formar a civilização brasileira? Se é assim, estaremos condenados a mais 500 anos de dependência cultural, e consequentemente econômica, dos países ''centrais''.
Onde estão os nossos pensadores? Onde estão os nossos intelectuais? Quem nós verdadeiramente formamos nos últimos tempos? Será que a universidade privada dará espaço para a formação do pensamento livre e independente, que muitas vezes é contrário aos seus interesses imediatistas.
Gente, vamos parar de fazer o jogo deles. Nesse jogo nós jamais ganharemos, pois as regras são eles que a fazem, e, sem a menor cerimônia, as impõem a todos nós.
Chega de ingenuidade, pelo amor de Deus!
- CARLOS ALBERTO CURY HARFUCH é servidor da Universidade Estadual de Londrina
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