‘‘Esta é a ‘geada’ da UEL, que será sempre lembrada pelas consequências que já provocou à sociedade, como um todo, e pelas que virão no longo prazo’’. A afirmação é do reitor da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Pedro Gordan, ao comparar os efeitos da paralisação dos servidores da instituição aos da geada de 1975, que dizimou a cafeicultura e mudou o perfil econômico do Paraná.
De acordo com o reitor, os efeitos imediatos podem ser medidos pela queda de movimento e de receita nos vários setores da economia do município, ‘‘difíceis de precisar em termos de valores globais, mas muito significativos’’. A médio e longo prazos, segundo Gordan, as consequências irão aparecer nos setores da saúde, nos serviços prestados pela Hospital Universitário (HU) e pelo Hospital de Clínicas (HC). O HU, por exemplo, devido à diminuição da receita por causa do corte de recursos dos R$ 384 mil mensais do Fundo Municipal de Saúde (Fideps) e de fontes próprias, deixará de construir uma torre de internamento. ‘‘O que há disponível, será direcionado para o setor de assistência. Enquanto isso, o projeto da torre fica adiado’’, anuncia.
O reitor diz ainda que não hã como estimar o quanto o projeto pedagógico será afetado pela prolongada greve. ‘‘Mas, com certeza, haverá algum tipo de dano ao aproveitamento. Em termos de tempo, haverá atraso de um semestre no calendário, pelo menos.’’ Também prevê prejuízos para o Festival de Teatro, que já deveria estar sendo preparado. ‘‘Em síntese, a paralisação terá consequências ruins para a maior parte das atividades da instituição.’’ Gordan lembra que a universidade deixou de realizar o que chama de busca ativa de recursos, por falta de projetos no período em que está parada. ‘‘Para conseguir recursos junto aos organismos de fomento do governo, é necessário que a instituição desenvolva projetos. O que deixou de ser feito’’, afirma.
O reitor, no entanto, reconhece que a greve terá consequências positivas. A começar, tendo por base a autonomia a ser proposta pelo governo, pela reengenharia institucional, que passa inclusive pelo enxugamento de sua estrutura funcional, a exemplo do que ocorreu com as universidades paulistas. ‘‘O que se buscará é a reorganização administrativa e racionalização de gastos e, ao mesmo tempo, facilitar as parcerias , como ocorreu com a Universidade de Campinas’’, argumenta.
Gordan acredita que também em termos de repasse de recursos, o momento é benéfico às instituições de ensino superior paranaenses. O Paraná deve arrecadar R$ 5,23 bilhões neste ano em Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), dos quais 75% são do Estado. E o cenário futuro é dos mais promissores, neste campo, pois, com a maturação dos investimentos no Estado, ‘‘a arrecadação irá crescer muito nos próximos quatro anos’’. ‘‘Eu acho que o governo está planejando um contrato de gestão com metas. E, nesse contexto, a universidade tende a se superar.’’

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