Greve inconcebível em serviço essencial
Se a greve é um direito previsto em lei, deveria ser proibida em serviço essencial como o transporte coletivo urbano. Esta segunda-feira poderia amanhecer com os motoristas e cobradores parados nas duas empresas concessionárias do serviço, em Londrina, porque reivindicam aumento salarial não atendido de 10%. Numa paralisação - e mesmo que por norma legal 30% do serviço precise ser mantido nos horários de pico -, sempre acontece o caos no transporte de passageiros, na maioria trabalhadores.
O sindicato as empresas têm responsabilidade direta sobre o que poderá acontecer, por haverem deixado a situação chegar a esse ponto. Greve é sempre ausência de diálogo e de entendimento. No caso é um desrespeito aos usuários. Ademais, estes é que mantêm as empresas e dão provisão à gorda fatia de receita do sistema sindical vinculado, que abocanha R$ 780 mil ao ano.
São 150 mil pessoas que utilizam diariamente os ônibus urbanos, e com os poucos carros em funcionamento se houver greve, mais de 100 mil ficarão a pé e terão de buscar alternativas de se deslocarem. Quanto 10% no salário representam no custo das empresas é um dos itens da planilha, razão de uma acirrada discussão paralela que se trava, porque a CMTU tem um cálculo e a Comissão Especial de Investigação (da Câmara de Vereadores) tem outro. O sindicato monta na garupa desse impasse (embora negue isso) e acena com a greve, mas está implícito que vê com bons olhos um aumento da tarifa, porque isso favoreceria o clima para obter o aumento salarial pleiteado. O presidente do sindicato afirma que houve queda no volume de passageiros, nos últimos anos, mas pelo estudo da Comissão da Câmara uma das empresas obteve aumento de lucro de 2006 a 2008, e como no período não houve elevação do valor da passagem fica no ar uma contradição. Que parece encontrar resposta no aumento da população, porque mais pessoas passaram a utilizar o transporte coletivo, superlotando os veículos, com passageiros tendo de viajar em pé nos horários de mais movimento, que são as entradas e saídas do trabalho.
Salário condizente é um direito natural do trabalhador, e quando há aumento, também as representações sindicais ganham uma maior cota. E esta sai do bolso do usuário do transporte, a menos que haja uma mágica que produza esse dinheiro. Tudo o que estiver ao alcance (sem prejuízo da reivindicação salarial) deve ser utilizado para evitar a paralisação. Porque a sociedade precisa ser defendida e é para isto que existem os mecanismos legais.





