Imagem ilustrativa da imagem Greve expõe problemas do transporte coletivo

Com a deflagração da greve dos funcionários da empresa responsável pela maior parte das linhas do transporte coletivo da cidade, Londrina teve uma quinta-feira (4) caótica. Para chegar ao trabalho, vários londrinenses tiveram que recorrer a caronas ou a aplicativos de transporte, que, pela alta procura, cobravam preços superiores aos praticados normalmente.

Com os dois lados, empregados e empresa, expondo seus argumentos, não se trata de deliberar nesse espaço sobre quem está ou não com a razão. Mas a situação do transporte coletivo de Londrina, que rendeu brigas na Justiça entre poder público e empresariado quando do anúncio de uma licitação para o serviço, é uma amostra das dificuldades que o setor enfrenta em todo o Brasil.

Nas últimas décadas, com o aumento da renda da população (mesmo com as crises) e os incentivos às montadoras, a frota nacional de veículos teve um crescimento gigantesco. Cada vez menos gente utiliza o transporte coletivo. Por exemplo, em Curitiba, que durante muito tempo foi referência de qualidade na prestação desse serviço, o número de passageiros cai ano a ano: segundo o Setransp (Sindicato das Empresas de Ônibus de Curitiba e Região Metropolitana), em 2018 foram 2,89 milhões de passageiros a menos.


Mais carros na rua e menos gente utilizando o transporte público representa mais congestionamento, acidentes e poluição do ar. Com mais facilidade para o brasileiro comprar um carro, o ideal era que caminhássemos para um modelo em que o transporte coletivo público é utilizado para o trabalho e demais atividades durante a semana, e o individual privado nos fins de semana, padrão dos países mais desenvolvidos. Mas mesmo lá há esgotamento: esta semana, Nova York aprovou a implantação de pedágio na região central de Manhattan, seguindo os passos de Londres, Estocolmo e Singapura. Os recursos arrecadados serão utilizados para melhorar o metrô da maior cidade dos Estados Unidos.


Quando há impasses como o que ocorre em Londrina, quem mais sofre, evidentemente, é a população. Não há soluções fáceis para a questão, e a cidade é dezenas de vezes menor que São Paulo e Nova York, mas é urgente o debate sobre como tornar o transporte coletivo local menos deficitário e mais atrativo e assim evitar que medidas drásticas se tornem necessárias no futuro.

mockup