Com cerca de 300 mil trabalhadores de 30 categorias profissionais em greve em todo o País, o governo federal decidiu encerrar as rodadas de negociação. Os sindicatos representantes das categorias devem decidir até hoje se aceitam a proposta do Ministério do Planejamento de 15,8% de reajuste salarial, que será dividido em três anos. Segundo o governo, as categorias que não aceitarem o percentual não terão qualquer aumento. Isso porque o prazo legal para envio do Orçamento, que deve contemplar a proposta para pagamento no próximo ano, para votação no Congresso Nacional será encerrado nesta sexta-feira.
As negociações estão ocorrendo desde março, mas há três meses os professores das universidades federais estão com os braços cruzados. Também engrossam a fila profissionais lotados na Receita Federal, Agência Nacional de Vigilância Sanitária, Ministério Público Federal, Instituto Nacional de Seguridade Social, entre outras categorias. Vale reafirmar que o direito à greve é constitucional, desde que respeitados alguns princípios, no caso de serviços considerados essenciais, como saúde e segurança pública, por exemplo.
É correto afirmar que as paralisações têm ocorrido porque os servidores estão há muito tempo sem qualquer reajuste salarial. Não é política de praticamente nenhum governo - federal, estadual e municipal - conceder aumentos anuais, como ocorre com a iniciativa privada ou os bancários. Também cabe afirmação de que algumas instituições têm deficit de servidores ou estão com a estrutura bastante defasada. Faltam investimentos em muitos órgãos da administração.
No entanto, é preciso avaliar outro quesito: a faixa de salários. Levantamento feito com base na Relação Anual de Informações Sociais (Rais) aponta que, em 2010, a média salarial de trabalhadores da iniciativa privada foi de R$ 1.742, enquanto a dos profissionais que trabalham para o governo ficou em R$ 2.458: diferença de 41,1%. Cabe ainda a reflexão sobre a eficiência do setor público. Salvo alguns poucos setores - principalmente os ligados à arrecadação - a prestação de serviços aos cidadãos deixa muito a desejar. Se os salários são altos, é preciso dar a contrapartida.
Portanto, esse problema deve ser resolvido com mais celeridade. Em todos os casos os cidadãos, que pagam os impostos e sustentam todos os serviços públicos, são os maiores prejudicados.

mockup