As consequências da paralisação dos caminhoneiros podem ficar ainda mais duras se governo e lideranças do movimento não chegarem a um consenso. Teve pouco reflexo o acordo firmado entre as duas partes na noite de quinta-feira (24). Não foi suficiente para suspender o movimento a proposta de dar um desconto de 10% sobre o preço do diesel na bomba, além de zerar a Cide. Embora o acordo tenha sido aceito por um grupo de entidades do setor de transporte, da beira da estrada os grevistas não saíram. E a semana termina com muitas incertezas e ameaças de desabastecimento em setores essenciais. Toda a sociedade ficou refém do movimento que parou o País.

A paralisação revelou os lados mais perversos da economia e da fragilidade de uma nação totalmente dependente do modal rodoviário. A opção em priorizar o transporte rodoviário foi feita por volta da década de 1960, beneficiando a indústria automobilística, as empreiteiras que constroem estradas e o setor de transporte. A consequência de deixar de lado os modais ferroviário e hidroviário nos deixou dependente do petróleo e do asfalto e nos tornou vítimas de um custo Brasil extremamente alto. A tristeza da "cultura rodoviarista" em um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

O oportunismo cruel dos empresários ficou evidente logo nos primeiros dias da paralisação, quando o desabastecimento de combustível levou o litro da gasolina a R$ 9,99 em um posto de Brasília e elevou o preço do tomate a R$ 12,00 o quilo em supermercados de São Paulo. Também, mostrou o lado egoísta da população, que correu aos supermercados para estocar produtos que não precisava.

Acuado, o governo federal editou na tarde desta sexta-feira (25) um decreto de Garantia da Lei e da Ordem em todo o território nacional. Em outras palavras, fica autorizado o uso das Forças Armadas em casos de situações de perturbação da ordem pública. O sucesso dessa medida é questionável. Uma solução extrema quando, na verdade, o governo federal demorou muito para agir e entendeu tarde que a ameaça dos caminhoneiros era séria.

Agora, resta torcer para que a situação se resolva rapidamente e para que ela sirva de lição neste ano eleitoral, levando o cidadão a questionar os postulantes aos cargos públicos sobre projetos e metas para evitar que algo parecido volte a bater à nossa porta.

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