Greve, a hora é de união
A greve é um movimento legítimo de reivindicação que contribui para a defesa e construção da universidade que queremos. A greve representa a união da comunidade na resistência ao desmantelamento dos serviços públicos. Mesmo que o único ponto de pauta dos grevistas fosse o reajuste salarial, a greve não seria menos justa ou deslocada da defesa destes princípios. O salário é a principal garantia da qualidade de vida e das condições de trabalho.
Secundariamente, a greve também é um espaço que possibilita a vivência de experiências imediatas, ricas de ensinamentos práticos vitais que de outro modo jamais conheceríamos, além de explicitar e propiciar a discussão dos problemas da universidade. O embate político é a melhor forma de exercício da cidadania, do aprendizado de que cada indivíduo se fortalece em união com outros em torno de um objetivo comum.
É em greve e não no período normal que podemos mudar a realidade e exigir do governo que nossos direitos sejam garantidos; a universidade passa muito mais tempo em atividade normal e, se este fosse o período ideal para reivindicação, todos os seus problemas já teriam sido solucionados.
Além do mais, estamos em um momento em que o governo se mostra enfraquecido; já perdeu na Justiça e chegou ao ponto de pedir ao movimento uma trégua. Os trabalhadores se encontram determinados e a conjuntura mundial mostra que o liberalismo na América Latina não foi eficiente enquanto sistema político-econômico. O Paraná, que era a vitrine desse sistema, não anda tão bem quanto nosso governador proclama, insistindo em dizer que quem não concorda é baderneiro ou vagabundo. Portanto, não é o momento de se acovardar e sair da greve. É o momento de avançar na luta e fortalecer a nossa união.
Não se trata de defender a greve pela greve, mas a paralisação das atividades como forma de reivindicação sem desconsiderar os prejuízos causados por ela, mas afirmar que estes são menores do que os causados a longo prazo pela política de sucateamento dos serviços públicos. A questão dos formandos e de todos os outros estudantes só será resolvida de fato quando o governador atender às reivindicações dos trabalhadores e a greve chegar a seu fim. Esta sim é a única solução razoável para a greve.
Este é o momento de professores, funcionários e estudantes se manterem fortes na luta por seus direitos, não esquecendo nunca que a greve é consequência do descaso do governo para conosco. Nunca devemos nos culpar ou arrepender por ela. Pelo contrário, devemos continuar lutando contra a intransigência de um governo que traiu a todos nós. Que a verdadeira comunidade externa, e não a oportunista, continue apoiando e se solidarizando com a greve dos servidores. Que os estudantes sejam mais ativos no processo de defesa da universidade. E, principalmente, que os trabalhadores como um todo se unam na luta em defesa de seus direitos.
ANA PAULA LEME é estudante em Londrina





