Vereador no terceiro mandato, o presidente da Câmara de Londrina, Sidney de Souza (PTB), 40 anos, tem como desafio, em 2007, o salário do funcionalismo. Não é para menos: em dois anos foram duas greves e 137 dias de paralisação. Na última greve, o desgaste não veio apenas para o prefeito: sobraram críticas também aos parlamentares. Sem reposição, fica a dúvida: a cidade suportaria nova greve?


O senhor tem defendido que o desafio da Câmara, em 2007, será a reivindicação salarial dos servidores. Isso é tão importante? E é polêmico?Sem polêmicas e sem sensacionalismo. Estudaremos as finanças da Prefeitura: como se arrecadam impostos, como se pode arrecadar melhor, quanto se arrecada, de que forma se gasta. Aliado a isso, comparar a situação de Londrina a outros municípios. É importante fazer esse comparativo: quanto ganha um funcionário que não teve correção e tem defasagem salarial de 30%, e comparado com quem? Cabe à Câmara responder ao servidor, que se sente injustiçado, e à cidade, que precisa saber se é assim por injustiça ao funcionário ou porque o Município não tem condições financeiras.


Todo final de ano, a Câmara convoca sessões extras para decidir matérias do Executivo, com consequente aumento de despesas. Isso vai mudar?
Sim, e com muito diálogo. No fim de 2006, por exemplo, tivemos de afogadilho, em praticamente 50% dos projetos, doações de áreas (públicas a particulares). Os membros do Instituto de Desenvolvimento de Londrina (Idel) precisam estabelecer uma pauta por lá, para que tenhamos prazo hábil de análise. Outra idéia é cobrar do Executivo uma antecipação mínima e estabelecer um prazo para que nos enviem, no final do ano, esses projetos.


Salvo exceções, o que se vê são as galerias da Câmara vazias. Entre outros fatores, pela decepção do povo com a classe política. É possível mudar isto?
Certamente, e por isso defendo sessões e audiências públicas itinerantes. Primeiro, porque temos nos quatro cantos da cidade a facilidade de prédios públicos, sejam escolas, ginásios ou centros comunitários. Diante disso, temos que levar a Câmara ao encontro do cidadão.


O senhor vem defendendo mudanças na Lei Orgânica e no regimento interno da Casa. Por quê?
São vários detalhes que quero apresentar, seja pela questão de prazos na apreciação de projetos, seja sobre a autonomia do parlamento. Em um passado recente, o prefeito tinha de trazer alguns contratos para o referendo da Casa. Depois, entendeu-se que estávamos burocratizando o processo. Vamos rediscutir a questão.


Neste caso, cite uma situação prática.
O projeto do saneamento. Para efetivar o contrato, teria de haver o referendo da Câmara; não pararia somente na sanção do prefeito. Contratos com empresas terceirizadas para roçagem e varrição, por exemplo? Mesmo caso. É uma forma de fiscalizar e, quando necessário, oferecer monitoramento.

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