Gravidez para sanar conflito de identidade
Temos de parar de dizer que a adolescente engravida porque não conhece métodos para evitá-la, declara Cristina Aparecida Guazelli, professora-adjunta do Departamento de Obstetrícia e responsável pelo setor de planejamento familiar da Unifesp/Escola Paulista de Medicina. Mesmo na primeira gravidez, elas têm noções sobre o uso deles. A gravidez ocorre por outros motivos, considera.
Uma pesquisa feita com adolescentes grávidas no Hospital São Paulo revelou que 80% delas conheciam meios de se evitar uma gestação. Claro que isso refere-se a uma população específica, pondera Cristina, mas há outras pesquisas que apontam a mesma realidade.
Além de mudanças culturais - que puxam a tendência a uma iniciação sexual cada vez mais precoce, outros fatores, de ordem psicológica, ajudam a elevar o índice de jovens grávidas no País. Foi o que constatou a psicóloga Raquel Foresti num estudo feito no Departamento de Psiquiatria da Unifesp/EPM.
Para o trabalho de mestrado, Raquel entrevistou 16 garotas entre 14 e 19 anos, 14 delas na primeira gestação. Ela concluiu que, para aquelas meninas, ser mãe seria uma espécie de fórmula para resolver um conflito de identidade. Em comum, tinham uma relação instável com os estudos e o trabalho. A gravidez veio com a função de dar a elas um lugar no mundo.
ÍNDICE DE MÃES ADOLESCENTES (*)
Norte - 14,2%
Nordeste - 10,1%
Centro-Oeste - 10,4%
Sudeste - 7,4%
Sul - 8%
(* Mulheres de 15 a 19 anos que deram
à luz no ano anterior à pesquisa, por região)
Fonte: Censo 2000 (IBGE)





