Gravidez na adolescência: um tema que a sociedade insiste em evitar
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segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020
EQUIPE DA FOLHA 
Na edição desta segunda-feira (10) a FOLHA traz em sua principal reportagem um tema bastante complexo e delicado, que vem tomando espaço nos veículos de imprensa e nas redes sociais nos últimos dias: a gravidez precoce.
Na semana passada, o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, e a ministra do MMFDH (Mulher, Família e Direitos Humanos), Damares Alves, lançaram, a Semana Nacional de Prevenção à Gravidez na Adolescência (Lei Nº 13.798, de janeiro de 2019), que neste ano de 2020 teve como tema “Tudo tem seu tempo: Adolescência primeiro, gravidez depois”.
O lançamento aconteceu em meio a uma polêmica, surgida a partir de declarações da ministra Damares Alves em favor da abstinência sexual como forma de prevenção. Em alguns vídeos publicados na internet, Damares Alves cita a proposta como uma “revolução” e justifica que os jovens estão sofrendo muita “pressão social para iniciarem a vida sexual”.
Depois de várias críticas, vindo até mesmo do colega ministro Luiz Henrique Mandetta, o MMFDH emitiu uma nota oficial explicando que a campanha pela abstinência na verdade tem como objetivo “incluir mais uma opção de método contraceptivo, como forma de tornar mais abrangente e completa a política de educação sexual já conduzida pelo Estado brasileiro, que, até o momento, ignorou o adiamento da iniciação sexual”.
O material fala sobre reflexão, planejamento para o futuro e o diálogo com a família e traz a hashtag #tudotemseutempo. Não cita métodos de prevenção, como a camisinha, mas orienta os jovens que quiserem outras informações a procurarem as unidades básicas de saúde de sua cidade.
Para esclarecer alguns pontos desse debate, a FOLHA ouviu especialistas e também conversou com Nelson Neto Junior, idealizador do movimento “Eu Escolhi Esperar”, que já conquistou mais de três milhões de seguidores na página oficial no Facebook.
O tema é complexo e delicado, como foi dito anteriormente, porque não se trata apenas de uma questão de saúde pública, mas envolve família, religião, educação, acesso à informação e desigualdade social.
Vários pontos de vista são apontados na reportagem. Mas já podemos ressaltar um lado muito positivo dessa polêmica levantada a partir da campanha de Damares Alves. A ministra levantou uma discussão que a sociedade brasileira insiste em evitar: o número absurdo de adolescentes que se tornam mães e pais no Brasil. Seria exagero dizer que o Brasil vive uma epidemia (mais uma) de gravidez na adolescência? Pois, então, vamos falar sobre isso?
Obrigado por ler a FOLHA!


