Grandes mudanças sob os céus do México
Hoje, por mandato do povo do México expresso nas urnas, terá início uma nova época para nosso país. Demos o primeiro grande passo nas eleições de 2 de julho, pondo fim a 71 anos de governo unipartidário e substituindo-o por uma democracia justa sob uma liderança nova e distinta. Este fenômeno de 2 de julho é importante não só por ter mudado o governo, mas também porque mudaram os mexicanos e as mexicanas. Neste momento, há uma nova atitude, há uma grande energia positiva no México, uma renovada esperança, o que faz do nosso país uma nação de oportunidades.
O que mais mudou?
Mudou a visão de governo: um novo governo democrático que acredita na transparência, que acredita no acerto das contas e que está disposto a impor a lei em nosso país. Um governo que está disposto a acabar com a corrupção a impunidade, a criminalidade e a insegurança, para que se viva um estado de direito. Meu país necessita urgentemente de reformas. Na maior parte de sua história, o México foi sufocado por uma forte concentração de poder, de riqueza, de conhecimento e de oportunidades.
O governo federal ainda controla cerca de 78% do gasto público e dos ingressos através dos impostos. A Presidência tem fixado quase que sozinha a agenda, o tom e as prioridades das políticas nacionais. Muitas de suas instituições ainda são imunes a qualquer forma de controle por parte do Congresso ou do Poder Judiciário. Os direitos civis e políticos estão sob uma constante ameaça de um poder abusivo, seja em forma de polícia, de burocracia ou de chefes políticos. A corrupção ainda corre solta no governo e é o principal fator de deslegitimação no México atualmente.
Por todas estas razões, nossa democracia necessita ampliar-se e aprofundar-se.
Neste 1º de dezembro, começarei a aplicar um programa que atende ao mandato que recebemos da sociedade: dar lugar a uma transição ordenada do governo, com uma economia em crescimento, uma inflação em baixa e maiores oportunidades de participação no desenvolvimento da nação. Nos últimos 20 anos, a economia mexicana tem sido incapaz de criar empregos suficientes para todos os mexicanos. Nosso PIB per capita parou nos níveis de 1981, enquanto a distribuição da renda e a riqueza pioraram progressivamente.
Hoje, mais de 40 milhões dos 100 milhões de mexicanos subsistem em condições de pobreza extrema. Este governo vai se preocupar com que esses 40 milhões sejam integrados ao mercado, tenham um emprego e consumam, para tornar forte e democrática a economia no México. Para que a economia cresça de maneira sustentável ao ritmo que o país necessita, impulsionaremos uma reforma fiscal que permita financiar o gasto público de maneira sã, uma reforma financeira que restabeleça o círculo virtuoso economia-investimento-crescimento e reformas estruturais nos setores mais importantes da economia: energia elétrica, petroquímica, transporte e telecomunicações, entre eles.
Propiciaremos um ambiente regulador que fomente os investimentos e a criatividade, bem como instituições financeiras que trabalhem para beneficiar as pequenas e médias empresas. Mas, sobretudo, necessitamos de um governo que equilibre as regras do jogo e brinde eficazmente os bens públicos que o mercado não pode proporcionar. Para isso, precisamos reorientar maciçamente o gasto público para os pobres. Este objetivo será o centro de nosso programa de governo. Vamos incrementar o investimento em educação em 8% do PIB.
Já estamos trabalhando para um orçamento austero para o ano 2001, que atenderá as prioridades que fixamos para nosso governo, que incluem a manutenção do equilíbrio macroeconômico e a promoção das micro e pequenas empresas. A meta é que o déficit total do setor público seja da ordem de 0,5% do PIB, a taxa de crescimento de 4,5% no primeiro ano, para chegar a 7% no terceiro, e inflação de 6,5% no primeiro ano, chegando a 3% no terceiro.
O México deve participar mais ativamente nos fluxos internacionais de tecnologia, capital, produção, comércio e cultura. Para isso, proponho em meu governo: no contexto do Tratado de Livre Comércio com Estados Unidos e Canadá (TLC), promover uma estratégia de longo prazo que nos leve, no prazo de 20 a 25 anos, à formação de um mercado comum e a criar instituições supranacionais que estabeleçam as bases para alcançar este objetivo.
Ratificar o acordo de associação econômica, acordo político e cooperação com a União Européia assinado em 1997. Sem, no entanto, esperar sua ratificação para atuar com empresários e instituições européias em projetos de investimento e alianças estratégicas. O potencial para os investimentos estrangeiros é enorme, já que, em virtude do TLC, nosso país é o único que tem a chave de entrada para os mercados dos Estados Unidos e do Canadá, sem tarifas alfandegárias. Isto é de uma grande competitividade para qualquer investimento feito no México.
Vamos trabalhar bem próximos com a América Central e a América do Sul. Estamos decididos a avançar em direção a um Tratado de Livre Comércio com o Mercosul, somando as quatro fortes economias latino-americanas as do Brasil, Chile, Argentina e México num grande esforço que nos permita impulsionar mais rapidamente o crescimento.
Estamos convencidos de que o século XXI é o século da América Latina e do México. No século XX ficamos para trás. Mas, aprendemos com nossos erros, acumulamos experiências e estamos prontos para largar e vencer neste século XXI.
- VICENTE FOX é o presidente eleito do México (IPS)





