Grana do BNDES fica com os grandes
Semanas atrás, neste espaço, esta FOLHA observou que a sigla BNDES, do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social, perdera o ''S'' (do Socia) nos últimos anos por priorizar grandes grupos econômicos em vez de apoiar iniciativas de pequenas e médias empresas do interior. O dinheiro é subsidiado pelo governo; o juro é inferior ao do mercado. O gancho para o comentário foi um projeto de financiamento ao frigorífico JBS. Na verdade, também as grandes empreiteiras são beneficiadas com crédito diferenciado do BNDES. Quando não são as grandes empresas privadas, são empresas que têm o governo como parceiro. Ou ainda as grandes, lucrativas (e gastadoras) estatais como, Petrobras e Eletrobras. Claro que essas empresas têm projetos sociais, geram empregos e tributos. Mas não são, necessariamente, as que mais precisam do BNDES para alavangar ampliações ou investimentos tecnológicos.
Ontem o assunto foi manchete na ''Folha de São Paulo'', em matéria do repórter Ricarado Balthazar. O BNDES repassa quase 60% dos recursos a apenas 12 empresas. As estatais Petrobras e Eletrobras, além de dez grupos privados que se associaram a projetos de interesse do governo federal, ficaram com 57% dos mais de R$ 168 bilhões contratados. Entre os nomes que mais tomaram empréstimos estão as três maiores construtoras, a Andrade Gutierrez, a Camargo Corrêa e a Odebrecht.
Críticos da concentração dos financiamentos do BNDES afirmam que a instituição está favorecendo empresas que têm amigos em Brasília em detrimento dos interesses do mercado, da sociedade e consumidores. Outro ponto denunciado na reportagem de Ricarado Balthazar é sobre o recente aporte de recursos da ordem de R$ 180 bilhões. Como o Tesouro pagou juros altos para levantar esses recursos - e o banco cobra de seus clientes taxas inferiores às praticadas no mercado -, logo a operação tem custo alto para a sociedade. Em resumo, as chaves do cofre bilionário do BNDES estão nas mãos de dois gigantes estatais e um punhado de grupos privados que se associaram de projetos de interesse do governo.





