Grampos e urnas
Após a comprovação de que o painel do imaculado Senado foi violado, pergunto-me: o quê não o seria? Quando o vereador Félix Ribeiro propõe votação em aberto, com exceção dos títulos de cidadania em Londrina, mais convicto estou de que é o melhor para os munícipes.
Vamos à questão das urnas eletrônicas. Na última eleição para a escolha de deputados, na seção em que votei Colégio Canadá encontrei dificuldade para confirmar meu voto no deputado estadual José Maria Ferreira. Ao digitar com facilidade o seu número, aparecia o nome de um estranho com sobrenome alemão. Tentei três vezes e o fato se repetiu.
Falei para a mesa: Algo está errado pois o número não confere com o nome! Afirmaram que o sistema não tinha problemas. Não fossem as três tentativas, o uso contínuo do teclado dos computadores como bancário e escritor que exige agilidade, poderia até concordar com engano de minha parte.
Nas últimas tentativas cansei e confirmei da forma como se apresentou. Para quem foi o voto? Por dedução, visto que o número foi digitado de forma correta todas as vezes, para o meu candidato, mas como provar? Por isso afirmo: estas urnas eletrônicas não são confiáveis de forma alguma, e agora que o Palácio Iguaçu está às voltas com grampos telefônicos, o Senado autoviolado, e que um paralelo foi encontrado (e enferrujado), ligado ao meu telefone em 17 de outubro de 1997, documentado e comprovado, permitindo até escutas e ligações clandestinas, dizer o quê?
Pois bem, aí está a verdade dos fatos que hoje se revelam, capitaneados pelo painel do Senado, pelas escutas telefônicas no Palácio Iguaçu e do Planalto, na teimosia da urna que votei e no paralelo/escuta em meu telefone. O que haveria de motivo para se grampear meu telefone? Seriam as manifestações na imprensa nacional contra certos políticos? Seria a minha luta pela justiça e justeza social? Seriam interesses outros e alheios ao meu conhecimento, ou gente de má-fé que sempre existiu, desde que o mundo é mundo?
Fica a pergunta e o ponto de interrogação. Quantos mais simples e manipuláveis pela falta de oportunidade no estudar ao manifestarem o desejo de votar num determinado candidato para qualquer dos cargos não tiveram seus votos adulterados, migrados para outros?
Fica aí a questão. Neste País, onde telefones são grampeados, desde os do mais graduado dos empresários ou políticos, até o este simples cidadão; onde a urna teimou em excluir o meu candidato de preferência, e as regras políticas de véspera não valem mais no outro dia o quê esperar?
Não se pode invadir a privacidade de ninguém com um simples e inofensivo fio paralelo a qualquer título; e o meu voto do vereador ao presidente não lhes confere o poder de expressar em secreto o meu desejo, e não se pode aplaudir estas urnas eletrônicas, dando-lhes o aval da segurança só porque atendem à evolução tecnológica, pois o computador é um mero animal de carga a serviço de todos nós que o inventamos, e pode atender sim senhor a mudança de comandos, desejos inconfessos e manipulações, com um simples toque; alterando até resultados em votações importantíssimas, majoritárias ou não!
- LUIZ EDGARD BUENO é escritor em Londrina





