Curitiba - O governo do Estado preparou uma mensagem, que aguarda aprovação dos deputados estaduais, autorizando o governo a reaver créditos referentes à privatização do Banestado, banco estatal comprado pelo Itaú há dois anos. Os detalhes da operação, se aprovada, não foram explicados pelo governo. De forma geral, o texto permite que os pagamentos ao governo sejam feitos por meio de precatórios (créditos garantidos por decisão judicial).
O Palácio Iguaçu faz segredo em relação ao montante que poderia receber através dessa maneira e quem são os devedores do Paraná. O governo revela apenas que há cerca de 15 mil processos de devedores do Estado que poderiam ser revertidos em crédito. A maioria desses créditos é ativos de clientes inadimplentes, cuja carteira foi dividida entre o Banco Itaú e o governo.
Para o Estado, é interessante reaver parte dos precatórios que emite. O secretário de Governo, José Cid Campêlo Filho, afirma que o projeto não tem nenhuma ligação com o chamado ''mico dos precatórios'', que trouxe sérias dores de cabeça ao governador Jaime Lerner (PFL) durante o processo de privatização do banco por causa dos ataques da oposição.
Os créditos que pertencem ao Estado serão geridos pela Agência de Fomento do Paraná. O presidente da Agência de Fomento, Francisno Calmon, explica que a vantagem da proposta é que os ativos de devedores do antigo Banestado poderão ser pagos com precatórios emitidos pelo próprio governo.
Economista ouvido pela Folha, que preferiu não se identificar, disse que medidas de caráter financeiro em fim de governo deveriam ser melhor explicadas. Para ele, a proposta permite uma limpeza de débitos.

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