Governo não segue ritmo do crescimento privado
Com a estrutura aeroportuária sucateada, os transtornos viriam inevitavelmente a aflorar quando ocorresse um aumento da demanda no transporte aéreo, tanto o de passageiros quanto o de cargas. É o que agora ocorre. A opção por estações aeroviárias luxuosas, mais semelhantes a shopping centers, em detrimento da adequação e modernidade dos sistemas operacionais do tráfego no ar e no solo, gerou o caos vigorante. Os sinistros resultados começaram a aparecer, com desastres de aeronaves, sobrecarga no instrumental de controle, atrasos nos vôos e todas as atribulações daí decorrentes.
A máquina pública não opera no mesmo ritmo do desenvolvimento nacional, este gerado menos por mérito governamental e mais por força da iniciativa privada, que apesar de tudo se move. Por isso a crise que ora se verifica no sistema da aviação civil já era previsível. Agora o Governo tem de buscar soluções emergenciais, como a que acaba de ser tomada pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) determinando a suspensão temporária da venda de passagens para vôos a partir do aeroporto de Congonhas (uma medida para 24 a 48 horas), de forma a desafogar o represamento de passageiros retidos ou com bilhetes já adquiridos. A decisão poderá se estender a outros aeroportos, porque o que afeta um, afeta a todos os que têm grande tráfego.
Outra determinação foi estabelecer em no máximo duas horas a duração dos vôos que partem daquele aeroporto paulista, palco do terrível desastre com o avião da TAM. Isto visa obrigar as companhias aéreas a utilizar esse campo de pouso com menos passageiros, menos carga e menos combustível. Estas são ainda medidas paliativas, porque a causa é o problema infra-estrutural, e assim mesmo a Agência age pressionada pelo episódio do acidente e porque os pilotos começaram a posicionar-se, recusando-se a pousar em Congonhas em dias de chuva.
O Governo representado pelos seus diferentes órgãos demonstra mais uma vez que é negligente e mau administrador, porque só agora começa a rever os problemas e a questão das rotas aéreas visando desafogar o movimentado aeroporto da capital paulista. Paralelamente vem a notícia de que as passagens podem ter aumento por conta da proibição de certas conexões e escalas em Congonhas. Se há pressão de demanda e menos oferta, natural que isso aconteça, diz o presidente da Anac, Milton Zuanazzi. Nem tão natural assim, porque tal não obriga a aumentos, e se isso ocorrer será por especulação das companhias, já liberadas para estabelecer os preços que desejarem.
No balanço geral de todas as atormentações, constata-se que o Governo neste e na maioria dos setores está em descompasso com avanços setoriais da atividade privada, porque se há qualquer aumento de demanda, esta encontra pelo caminho obstáculos resultantes dos atrasos do poder público. O caso da crise aeroportuária é um exemplo. Espera-se do novo ministro da Defesa, Nelson Jobim, que alguma proposta solucionadora aconteça e que o Governo a acate e a execute.





