O Governo tem muitas formas de compensar a perda dos R$ 40 bilhões anuais da CPMF, bastando enxugar a máquina pública diminuindo as estruturas e gastos dispensáveis. Mas não se ouve uma palavra sequer a respeito no círculo da administração pública. Nem tudo depende do Governo federal, mas o presidente da República tem poderes para eliminar ministérios, e se os reduzisse pela metade já faria uma grande economia, porque se sabe que essas instituições, na maioria, são cabides de empregos e estâncias de acomodações políticas. Certos ministérios desativados resultariam até na melhoria do ordenamento burocrático.
  Mas não apenas a maior parte dos ministérios e também outras instituições sanguessugas, que se alimentam de pesada e cara estrutura e com baixíssima utilidade, até porque alguns de seus desempenhos poderiam ser transferidos para outras repartições. As duas Casas do Congresso operariam com mais economia e eficiência se tivessem apenas metade de seus membros, ou até menos, mas por ora é sonho de noite de verão imaginar que os parlamentares aprovariam uma proposta dessas, nem que fosse para começar a vigorar depois das duas próximas legislaturas.
  A não-criação de novos municípios e o retorno de centenas e centenas deles a distritos (porque são inviáveis e não se sustentem) seria uma revolucionária solução, o que naturalmente dependeria de alteração constitucional, mas nada é impossível quando uma nação deseja reestruturar-se e eliminar seus vícios nocivos de origem, como os imperantes na vida pública brasileira. Essas idéias soam como utopia no momento, mas é certo que a situação atual é insustentável. Porque este país rico tem uma nação empobrecida. Por conta principalmente dos governos corrompidos, gastadores e pouco operantes, que consomem quase tudo para manter seus cargos e suas mordomias.
  Agora o presidente Lula diz que o ministro Guido Mantega - que é o senhor das decisões no setor tributário - tem de convencê-lo da necessidade de criar um novo imposto para compensar a CPMF perdida. Quem apostar que Mantega o convencerá tem grande chance de acertar. A população, com certeza, acredita que outro imposto virá, de forma camuflada, mas virá. Porque o Governo não acena em cortar nos gastos supérfluos. Já cortar na carne do povo, onde já não há muito a tirar - como os atendimentos de saúde - isto não está na mente sobretudo do superministro. Lula diz que nos próximos dias irá rever todas as contas para decidir o que fazer.
  Óbvio que, sem economia, as contas dirão que é preciso manter a arrecadação alta. Ele diz que será ‘‘uma loucura aumentar a carga tributária’’, mas é melhor não acreditar muito em sua palavra. Até porque não é ele que decide tudo no Governo.

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