A classe médica vai às ruas. Entidades representativas dos profissionais da saúde preparam para quarta-feira uma mobilização em todo o Brasil contra a decisão do governo de trazer médicos do exterior sem a revalidação do diploma. A medida foi uma das muitas divulgadas pela presidente Dilma Rousseff em resposta às manifestações que tomaram conta do País nas últimas semanas.

Representantes de conselhos, associações, sindicatos e sociedades de especialidades criticaram a posição da União e, inclusive, declararam, em carta aberta, "o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, como persona non grata para a sociedade por adotar medidas eleitoreiras que colocam em risco a vida e a saúde dos brasileiros".

Conforme Alexandre Gustavo Bley, presidente do Conselho Regional de Medicina (CRM-PR), o governo deveria discutir a estrutura do sistema de saúde do País como um todo, levando em conta também a necessidade de valorização da carreira. "Tem que existir projetos de Estado e não de governos. Ou seja, definir como vai funcionar a saúde deste País, independentemente de partido", argumentou Bley.

A decisão de trazer médicos do exterior, anunciada pelo governo federal, é uma das medidas tomadas em resposta às manifestações das ruas. Como o CRM-PR avalia essa alternativa?

O governo tentou desviar o foco ao não discutir a estrutura da saúde do País. Colocou como se a culpa do Sistema Único de Saúde (SUS) não funcionar fosse do médico. Ou seja, a falta de médicos está fazendo com que o SUS não funcione. A proposta de trazer profissionais de fora do Brasil está gerando uma revolta muito grande e não só da classe médica, mas da própria população. Os pacientes que chegam ao consultório comentam com a gente. Então essa é uma preocupação que a gente tem porque não adianta ficar trazendo profissional, ainda mais da forma que o governo quer. O que precisamos é discutir um pouco mais a fundo o que a gente pensa e quer em matéria de saúde. E acredito que esta discussão o governo não quer ter, porque vai terminar percebendo que é necessário um aporte maior de recursos. E é tudo que ele não quer no momento.

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