O lucro dos bancos no Brasil é astronômico porque os juros que praticam são altamente corrosivos, e se o mal tem de ser combatido a partir da origem, a clientela também favorece essa situação privilegiada do sistema financeiro. Porque se comporta imprudentemente com o uso do cheque especial e fica inadimplente. O estouro de contas tem sido recorde, muito superior ao registrado um ano atrás.
Se há cidadãos e empresas que têm de se valer dessa saída para saldar dívidas- eventualmente por idêntico empréstimo bancário, pagamento atrasado de cartão (este muito mais letal) ou necessidade imprevisível - com toda a certeza há também muita negligência e gasto compulsivo, e isto pode ser evitado. Embora o cheque seja cada vez menos aceito, por causa de calotes, os bancos estão como nunca buscando capturar novos clientes e conservar os existentes.
Abrindo limites altos, induzem ao uso. Ademais, uma conta aberta é um buraco negro onde caem taxas infindáveis, que são engolidas e não mais recuperadas. Nesta quinzena de setembro o juro do cheque especial subiu para 9,01% ao mês (o dobro da inflação de um ano) e alguns bancos já operam com até 12,30%, enquanto pagam na captação menos de 1%/mês, um descalabro que não encontra resposta à luz do bom senso. Não há quem resista usando dinheiro de banco por via de cheque especial. A solução corajosa é não ter conta bancária, porque isto não é necessário para a maioria dos cidadãos e empresas. Se quase tudo é pago pela rede bancária, não significa que é preciso abrir conta. Também não há necessidade de ter cartão de crédito, porque a humanidade viveu sem ele e nem por isso deixou de crescer.
A insegurança que se tem com o dinheiro vivo no bolso ou guardado fora de banco é menor ou igual ao risco que se corre com perda de talonário de cheque ou do cartão - este podendo ser clonado e usado por terceiros. E dinheiro desonerado de juro e das taxas que caem invisíveis como o orvalho, significa economia. O sistema financeiro no Brasil é perverso e há que livrar-se dele. Consumir é preciso, ou a economia vai à bancarrota, mas é preciso gastar com moderação, sem usar dinheiro de empréstimo tipo cheque especial. Ou o descontrole pode levar à corrosão.

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