Governo não acompanha ritmo do agronegócio
O agronegócio vai bem porque é capitaneado pelo empreendedorismo privado, que tem os pés no solo e a cabeça atenta aos avanços da tecnologia e do mercado. Além disso, está mais escolado na gestão da atividade rural. Mas o Governo, que deveria ser participante ativo no processo, não acompanha o ritmo ao não adotar, com a necessidade desejada, as políticas que lhe compete.
Ressalvado o setor oficial da pesquisa, onde se sobrepõe o idealismo, há muito ainda por fazer para consolidar-se a sustentabilidade dos negócios do campo.
Conforme depoimentos publicados ontem neste Jornal, no caso específico da soja - um dos principais produtos - as estradas são precárias, gerando elevado ônus no transporte e aumentando o custo final, especialmente para a região centro-oeste, que está longe dos portos. No caso de Mato Grosso, que concentra um terço da safra nacional do grão, só o transporte chega a 22% do preço de exportação. E o Plano de Aceleração do Crescimento não acelerou nada no programa anunciado de melhoria das estradas.
Como declara o diretor-executivo da Associação dos Produtores de Soja daquele Estado, Marcelo Monteiro, também não saiu do discurso a construção do trecho ferroviário entre Alto Araguaia e Rondonópolis. Amaryllis Romano, da Tendências Consultoria (de SP), afirma que infra-estrutura e logística são elementos importantes para o agronegócio, desde a oferta do insumo e a defesa sanitária até o embarque, nos portos, da produção exportável. Se a corrente parece ser de baixa nos preços das commodities, será mesmo necessário buscar formas de redução do custo de produção e do transporte. Esta é uma solução estratégica que não depende apenas do produtor mas também da ação do poder público.
O Governo vangloria-se dos bons momentos da economia, mas o mérito por isso não lhe pertence, porque é produto do arrojo e das diretrizes mais sábias da comunidade empresarial, em todos os campos de atividade. Porque as omissões oficiais vão estreitando o gargalo de fluidez do agronegócio.
Se os negócios do campo vão bem, eles se sustentam pelas próprias pernas. Porque o produtor rural reunidos os grandes e os pequenos vai fazendo atalhos e descobrindo caminhos, e assim toca a lavoura com a sabedoria da experiência e consciente de que não pode esperar muito das políticas públicas.





