Mesmo com dinheiro em caixa, o despreparo dos ministérios para elaborar projetos retardou obras do Governo federal, no decorrer do ano que se encerra. Com poucos dias úteis em dezembro, obviamente falta tempo para fazer o que não foi feito, e enorme volume de verba orçamentária cai em exercício findo ou vai para a conta de ''restos a pagar'' em 2006. O Ministério das Cidades foi o mais inoperante, pois nada contratou na área de saneamento básico, mesmo dispondo de R$ 3,15 bilhões. O Ministério dos Transportes gastou aquém das necessidades, tendo dinheiro disponível e diante de tantos reclamos pela péssima condição das estradas, das ferrovias e dos portos. A alegação é que escasseia pessoal competente nos órgãos vitais do Governo para destravar projetos importantes ou elaborar novos. Por isso algumas verbas foram desviadas para outras finalidades. Se não bastasse o escândalo da corrupção que aconteceu neste penúltimo ano de mandato do Governo Lula, a equipe governamental não conseguiu realizar obras, mesmo com disponibilidade de dinheiro. Tudo isto por incapacidade de gestão, ou porque o Governo segurou demais as liberações (no Ministério da Fazenda) e também por alguns entraves do sistema. Como o caso de pendências judiciais, quando processos licitatórios são impugnados, e das barreiras da legislação ambiental. Mas estes são casos isolados, porque o que há mesmo é baixo desempenho. Todos os gastos necessitam dos respectivos projetos, mas isto não se fez no tempo hábil, e o próprio presidente Lula não deve ter feito cobranças nesse sentido. O que não foi planejado e deixou de ser executado entra na conta de tempo perdido, num país de infra-estrutura sucateada. Todos os empenhos não utilizados vão agora ser cancelados, para que, talvez no ano que vem, se recomece o que não foi realizado. Se a lentidão for a mesma de 2005 um ritmo que tem marcado as administrações petistas imagina-se que milagres não irão acontecer, mesmo tratando-se de ano eleitoral. Como as licitações demoram pelo menos 90 dias, ademais descontando-se o período de natural marasmo dos primeiros meses do ano, pode-se calcular que grandes coisas não acontecerão em 2006, se é que não aconteceram em três anos da administração Lula. Não será pessimismo temer que o Governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva o ex-metalúrgico que chegou ao poder guindado pela maioria do eleitorado e com acenos de grandes realizações passe à história como um mandato perdido. Se, com dinheiro, nem assim a equipe governamental consegue fazer, pouco resta a esperar doravante, e já não se acredita que o povo se lance na aventura de marchar com Lula por novos quatro anos, após 2006.

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