Governo insistindo em novo imposto para Saúde
Enganam-se os que pensam que o Governo Lula conformou-se com a perda da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, a famigerada CPMF, porque já se movimenta para recriá-la com um novo nome: Contribuição Social para a Saúde. A proposta adormece na Câmara Federal mas agora o ministro José Temporão, peemedebista que comanda o Ministério da Saúde, já aciona seus companheiros para desengavetá-la e pedindo pressa na votação. Tudo conforme a ordem do presidente Lula.
O argumento agora utilizado tem sabor de chantagem, porque se vale da proliferação da gripe A como justificativa para a necessidade de arrancar mais dinheiro da população. Também a crise financeira (que já está se dissipando) é ressuscitada como razão para recriar o imposto que tinha como rubrica atender à saúde pública. A receita da CPMF já era desviada também para outras finalidades, e pensa-se com desconfiança que destinação irá ter a nova contribuição, se aprovada.
Temporão começou a antever ''um horizonte de penúria'' para o Ministério da Saúde, e como ele já é candidato potencial a deputado federal, pode-se imaginar que seu temor é faltar-lhe chão se a gripe continuar e sobrarem farpas contra seu Ministério, o que refletiria em sua candidatura. A meta, como se deduz, não é propriamente atender à causa da saúde, mas a causa individual. Da mesma forma que Lula faz qualquer negócio - como abraçar alguns de seus inimigos históricos do passado, como José Sarney, Renan Calheiros, Fernando Collor - para obter o que deseja e também manter o PT na Presidência da República, assim pavimentando o caminho para seu retorno em 2015. (Um detalhe é que Lula, ao focar-se nesse ano, demonstra que não desejará a reeleição de um eventual ocupante petista no Planalto, porque - por essa perspectiva - quererá destroná-lo já no final do primeiro mandato). O PMDB na Câmara e no Senado - conveniente aliado do Governo e parceiro no mercado de troca - mais o PT, formarão certamente um vigoroso poder para aprovação da Contribuição Social para a Saúde.
A alegação é escassez de dinheiro para os atendimentos de saúde pública, mas é paradoxal que o Governo Lula se disponha a comprar aviões-caças e submarinos, da França, ao custo de 20 bilhões de euros - ou 52 bilhões de reais. (E para agravar, denunciou-se que esse valor está acima de ofertas idênticas de outros fornecedores). E está nos jornais que o presidente Lula assinará (se é que já não assinou) a concessão de um empréstimo de 332 milhões de dólares ao companheiro Evo Morales para a construção de uma estrada de 302 quilômetros na Bolívia.





