A elevação dos gastos públicos é o principal inibidor do crescimento econômico, conforme documento da Confederação Nacional da Indústria. Porque, por conta disso, o Governo aumenta a carga tributária e enfraquece a empresa. Paralelamente, os juros extorsivos e a valorização do real frente ao dólar contribuem com sua parte para sufocar a economia. Dessa forma é difícil criar um país competitivo, que marca passo no seu desenvolvimento. A queda no crescimento altera a estimativa de 3,7% para 2006, que deve ficar em apenas 2,9%, porque houve um tombo no segundo trimestre. O Brasil não tem parado de crescer, mas o ritmo é baixo e as perspectivas são pouco animadoras, sob o ponto de vista da classe industrial. Um mandato governamental está se concluindo, outro começará em janeiro - e eventualmente o mesmo, pelo indicativo das pesquisas - mas não há projetos consistentes que apontem para grandes saltos. O temor da Confederação das Indústrias é que, mesmo com o arrocho tributário, a estimativa de arrecadação do Governo não se confirme, por causa do baixo desempenho da economia. Essa roda girando invertida - ou seja, a queda da receita tributária motivada por igual queda da atividade econômica - poderá induzir o Governo a fazer o que sempre tem feito, que é aumentar impostos ou reduzir seus atendimentos sociais e desacelerar o programa de manutenção de obras e as obras novas. Porque diminuir gastos supérfluos e a gastança desmedida e desnecessária - um ponto crítico focalizado pelos empresários da indústria - o Governo não faz, eis que lhe falta essa cultura e essa responsabilidade. No caso do câmbio, a valorização do real provocou uma baixa de 0,68% no faturamento das empresas, nos primeiros sete meses do ano, em comparação com igual período de 2005. É a dinâmica dos negócios que gera impostos, embora as autoridades da área econômica e tributária, aparentemente, desprezem isto, porque preferem aumentar as alíquotas e ir criando novas formas de sobrecarregar o contribuinte. No confronto com a atividade produtiva nacional, o Governo afigura-se como a ''ovelha negra''. Tem-se proclamado à exaustão que o mal do Brasil é o Governo, e isto vem desde sempre. O documento da Confederação das Indústrias conclama os governantes da República a entenderem que é preciso dar prioridade ao crescimento econômico. Porque a partir daí a roda desenvolvimentista gira, com mais empregos, mais bem-estar social, mais segurança e, nesse processo natural, mais coleta de impostos.

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