Impostos escorchantes, encargos trabalhistas proibitivos e mau emprego do dinheiro público são fortes razões para o aumento da informalidade ou seja, empresas à margem da legalidade e que também não registram empregados. O culpado é, portanto, o próprio governo, que é gastador abusivo e sempre envolto em casos de corrupção. Isto induz à ausência de patriotismo por parte dos cidadãos e ao estímulo para que usem de mecanismos de defesa, embora com isso criem problemas para a Nação. Assim, convertem-se todos em ladrões do erário.
A carga tributária é de 36,8%, com o contribuinte médio trabalhando cinco meses por ano só para sustentar o sistema governamental esbanjador e corrupto. As normas tributárias compõem um labirinto com milhares de itens, o que inviabiliza o entendimento da perversa máquina arrecadadora. Nesse ordem de coisas vicejam os informais, os formais sonegadores e a farra governamental com o dinheiro do povo. O governo não afrouxa o garrote tributário, não diminui gastos e não opera com honestidade, gerando essas anomalias. Já ninguém tem razão e todos perdem.
Os informais não recolhem impostos e não registram trabalhadores, e estes serão prejudicados quando, no futuro, necessitarão da aposentadoria. A receita tributária cai e o governo perde, escasseando-lhe recursos para os atendimentos básicos e para a execução de obras. Ademais, pelo elevado endividamento interno e externo e pelo serviços dessas dívidas (entenda-se os juros), a máquina pública já corrompida caminha para a inviabilidade. A questão envolve consciência de todas as partes, mas o começo e o exemplo devem partir do governo, por via de uma reformulação do sistema tributário com baixa das alíquotas e da simplificação dos mecanismos de arrecadação.
Baixando impostos a Receita Federal arrecadará mais, por meio da consequente intensificaçaõ do desenvolvimento. Esta é a alquimia, que os governantes conhecem mas não põem em prática. Com menos sangria tributária sobraria mais dinheiro para a empresa desenvolver-se e assim gerar mais recolhimento de impostos e mais empregos, significando pessoas com mais dinheiro para gastar. Um regime de tributação sustentável proporcionaria um salto de crescimento e o retorno dos informais à legalidade, assim aumentando o fluxo da arrecadação. Seria uma reação em cadeia, no sentido produtivo, e tal não é sonho mas realidade possível, como ocorre nos países desenvolvidos.
Há um vício de sistemas, no Brasil, mas se o governo tomar a iniciativa, com medidas sábias que recuperem a confiança dos cidadãos e dos contribuintes, estes corresponderão com sua resposta. Nada adianta o secretário da Receita Federal, Jorge Rachid, bradar que sonegação é crime e acenar com tolerância zero para os sonegadores. A sonegação desaparecerá se o governo começar por baixar impostos aí incluídos os encargos sociais dos salários fizer um corte profundo nos gastos e moralizar-se, ou jamais a nação cumprirá, de sua vez, a parte que lhe cabe.

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