Governo e parlamentos em marcha lenta
Tem razão o presidente Lula quando reclama que o Senado está parado com importantes questões da vida nacional sendo proteladas, mas também ele está mais preocupado com a sucessão presidencial e menos com os mil problemas que deveriam estar recebendo sua atenção. Os setores mais problemáticos são os da saúde pública (agravados agora com o alastramento da gripe A), a moradia, o saneamento básico, a segurança e os grandes bolsões de miséria social.
Se os problemas e suas soluções não tocam apenas ao Governo federal, faltam políticas conjuntas para atenuá-los. O tempo anda e só restam 17 meses para Lula fazer o que prometera desde os tempos das primeiras candidaturas e nestes anos de governo. As grandes cidades, principalmente, vivem situações de caos, com a insegurança predominando e a ausência de políticas de longo alcance para transpor os grandes obstáculos que impedem a melhoria de vida de milhões de brasileiros.
A crise financeira mundial, ao menos, não afetou tão pesadamente o Brasil, e parece que está se diluindo, mas as grandes reformas que se espera neste país não entram em discussão - e muitas delas precisam ter seu ponto de partida nos parlamentos, porque dependentes de mudança de leis. No que respeita diretamente aos problemas sociais, metade das moradias brasileiras (portanto envolvendo 100 milhões de pessoas) não têm encanamento de esgoto e 10% da população não estão conectados à rede de água tratada. Sem contar que faltam 7 milhões de casas populares para abrigar gente que habita cortiços, em condições desumanas. Agora, o Governo executa um programa nesse sentido, mas insuficiente, porque deixou (nesta administração e nas anteriores) que o problema fosse ganhando amplitude até tornar-se quase insolúvel, porque a população aumenta e a necessidade no setor cresce na mesma proporção. A Amazônia continua sendo devastada para extração de madeira e abertura de fazendas de gado e de plantio, sem uma estratégia para proteger essa riqueza planetária em terras brasileiras. Sem-terra continuam sua marcha pela ausência de uma formulação agrária consistente num país de tanto espaço para se plantar.
Escasseiam, ao lado do presidente da República, ministros de estatura e estrategistas que elaborem grandes projetos, destes que agitam e envolvam a nação e provoquem revoluções de crescimento e acendam o entusiasmo do povo. O ''staff'' governamental sintetiza-se basicamente na figura de um só homem, o próprio Presidente. Os segmentos produtivos da área privada (agricultura, indústria, serviços) apesar de tudo caminham e vão salvando o Brasil.
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