Governo dos vitoriosos - Mirian Guaraciaba
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sexta-feira, 13 de novembro de 1998
Mirian Guaraciaba 
O governador Antonio Britto cogitou de assumir uma cadeira na Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Derrotado pelo petista Olívio Dutra na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, Britto precisa continuar na mídia. É importante para o político que não pretende abandonar as chuteiras. Ex-ministro da Previdência Social, Britto não está nos planos do novo ministério de Fernando Henrique Cardoso. Nem ele, nem Eduardo Azeredo, nem Jader Barbalho, Íris Rezende, Marcelo Alencar ou Cesar Maia. Muito menos Paulo Maluf. A um ministro, há alguns dias, o presidente foi textual: Não quero derrotados no ministério. Esta semana, reforçou a decisão. Quer distância do ex-prefeito de São Paulo, embora queira o PPB bem próximo de seu governo.
O presidente poderia indicar os derrotados para cargos no segundo escalão. Mas sabe que dificilmente aceitariam. Já foram governadores ou senadores e alguns já ocuparam cargos importantes no governo de Fernando Henrique. Azeredo e Alencar são governadores do PSDB.
Ao anunciar - mesmo discretamente - a determinação de não prestigiar derrotados, o presidente mostra talento para a política do drible. Elimina de cara uma lista de concorrentes.
Ainda assim, sobram problemas para o novo ministério a ser composto até janeiro. Três novas pastas - Produção, Habitação e Infra-estrutura - ainda estão em discussão, mas já são disputadas a tapa por líderes dos partidos aliados.
Conselhos úteis Na véspera de embarcar para a Bósnia, quarta-feira passada, o governador eleito Joaquim Roriz teve um demorado encontro com seus maiores - e melhores - aliados no governo de Fernando Henrique. Em três horas de conversa, na casa de Roriz, os ministros Eliseu Padilha e Eduardo Jorge analisaram os fatos ocorridos durante a campanha, detiveram-se nos inoportunos apoios de José Serra e Pedro Malan a Cristovam Buarque, e fizeram recomendações a Roriz. Padilha e Eduardo Jorge pediram cautela ao governador no encaminhamento de questões como os pardais, a bolsa-escola e o saúde em casa. Todos devem ser mantidos, respondeu Roriz. E sugeriram bom senso a Roriz. Que não declare guerra a supostos
adversários. É tempo de composição.
Reputação Irene Saez, candidata independente à presidência da Venezuela, convidou a deputada Esther Grossi para elaborar o programa de educação que pretende apresentar aos eleitores. Ex-miss Universo, Irene está em terceiro lugar nas pesquisas de opinião. As eleições na Venezuela acontecem no dia 6 de dezembro. Esther Grossi não se reelegeu para a Câmara Federal. Está feliz com o convite de Irene Saez. Sente-se reconhecida pelo bom trabalho que fez em Brasília e em Porto Alegre. A deputada petista foi secretária do então prefeito de Porto Alegre, Olívio Dutra, governador eleito do Rio Grande do Sul.
MIRIAN GUARACIABA é jornalista em Brasília


