Governo deve aumentar impostos para cobrir buracos
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domingo, 28 de abril de 2002
Agência Estado 
Brasília - Se a pior estimativa se concretizar, o governo terá um buraco de R$ 6,4 bilhões para tapar com cortes nas despesas e, principalmente, com aumento de tributação neste ano. Esse será o tamanho do problema se for confirmada a previsão do Congresso de que a perda de receitas decorrente do atraso na votação da prorrogação da Contribuição Provisória sobre a Movimentação Financeira (CPMF) ficará em R$ 6 bilhões.
O secretário da Receita Federal, Everardo Maciel, já analisa idéias para elevar a arrecadação. Mas os trabalhos técnicos ainda estão em ritmo lento porque só se saberá a dimensão exata do buraco quando a CPMF for votada. Quanto maior o atraso, maiores serão as medidas para elevar a arrecadação. Não há outra solução, uma vez que não podemos abrir mão do cumprimento das metas fiscais, afirmou o secretário.
A solução encontrada pela Receita precisará cobrir não só a frustração de receitas com a CPMF, como também mais dois buracos: a correção das deduções permitidas no Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF) e a isenção da CPMF nas Bolsas. Só dá para tratar esses problemas em conjunto, disse Everardo. Qualquer solução individual é errada.
Um outro problema surgiu na semana passada, quando o Congresso votou a medida provisória que corrigiu a tabela do IRPF em 17,5%. Essa correção provocará queda na arrecadação de R$ 3,8 bilhões, mas a diferença já foi corrigida em sua maior parte, com cortes no Orçamento de 2002.
No entanto, uma parte da perda decorrente da correção dos limites de dedução de gastos com educação e dependentes, estimada em R$ 300 milhões ao ano não pode ser coberta com cortes, segundo determina a Lei Fiscal. Por isso, a mesma MP que determinava a correção da tabela continha também aumento de 1% para 3% da alíquota efetiva da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) sobre empresas prestadoras de serviços. O Congresso derrubou esse artigo. Portanto, são mais R$ 300 milhões a serem cobertos. Nesse caso, especificamente, com aumento de impostos.
Os técnicos da Receita estão esperando a votação da CPMF para saber o tamanho exato do buraco a ser coberto. No entanto, a impressão deles é que a margem para cortes é muito pequena. Ou seja, boa parte terá de ser coberta com aumento de impostos.
O próprio ministro da Fazenda, Pedro Malan, deixou isso muito claro ao anunciar novos cortes no Orçamento e a necessidade de elevar as alíquotas do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Para Everardo Maciel, haverá aumentos pesados de carga tributária.


