Não há outro nome senão o de golpe contra o povo a negativa do governo federal em devolver empréstimos compulsórios instituídos em 1986 pelo presidente Sarney sobre os combustíveis e a compra de carro novo. É como alguém que pede dinheiro emprestado e depois se nega a devolver. Um grupo de advogados de Londrina, com apoio da subseção local da Ordem dos Advogados do Brasil, está se mobilizando para demover o Governo dessa decisão. Para fazer caixa, a União impôs na época aqueles empréstimos, com prazo para devolução, mas como tudo do gênero depois esquece e só ''se lembra'' se os credores recorrem à Justiça, como veio acontecendo. Esta uma legítima recorrência, já que não há outra forma de acordo. A devolução gira em torno de R$ 1,5 mil por carro e R$ 670 por motocicleta. No caso do Paraná, esse ressarcimento, por via de ações judiciais, chegou a ser obtido por 834 reclamantes, mas depois ocorreu a suspensão do pagamento, por parte da União, e pelo menos 40% do total dos paranaenses com crédito (citando-se apenas o caso estadual) foram prejudicados. Pior que isso, há o risco de, quem recebeu seus haveres, ter de devolvê-los, por conta de ação rescisória impetrada pelo Governo. Se o contribuinte for executado, terá seu nome no cadastro de devedores, não podendo participar de nenhum concurso público e nem conseguir certidão negativa. Esse crédito é um direito legítimo porque trata-se de empréstimo, portanto, inquestionável. O que ocorre é uma violação de trato que denigre ainda mais a imagem do Governo. Inacreditável que isto possa acontecer. Recorda-se que outro empréstimo compulsório foi imposto, há muitos anos, sobre a compra de passagem aérea para o exterior e que correspondia ao dobro do valor dela. Disto nunca mais se falou, e é oportuno escarafunchar e saber até onde isto ainda tem validade. O tempo vai passando e os cidadãos esquecem, e como o Governo não é cumpridor tão correto de todas as obrigações que assume, a questão só vem à tona pela lembrança daqueles mais atentos. Mas agora nos casos dos combustíveis e dos carros o devedor se nega a pagar os empréstimos tomados do povo (o que na ocasião, diga-se en passant, ocorreu por via da força e não foi algo opcional). Tal sequestro de dinheiro só caberia em situação de extrema nacessidade nacional, mas isso aconteceu aleatoriamente, e se foi um ato arbitrário, a negativa da devolução a certa altura do processo (como agora ocorre) é uma demonstração flagrante de desonestidade. Como esperar que a nação tenha confiança em seus governantes se golpes como este acontecem?!

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