Governo da Argentina admite inflação de até 45% no ano
PUBLICAÇÃO
domingo, 07 de abril de 2002
Agência Folha 
Buenos Aires - O governo argentino admitiu que a inflação no país pode alcançar os 45% no ano. Para o vice-ministro da Economia, Jorge Todesca, se o dólar ficar em torno dos 2,50 pesos, os argentinos terão de sobreviver com um índice de inflação dessa magnitude.
Pelo Orçamento do governo, a inflação prevista no ano é de 15%. Mas, apenas no primeiro trimestre do ano, o índice de preços ao consumidor já acumula alta de 9,7%. Até o momento, o ministro da Economia, Jorge Remes Lenicov, tinha dito que a inflação no ano acabaria acima do projetado, sem fazer prognósticos.
Como nem o governo estima que o dólar recue, a inflação acabará acima das previsões iniciais. Duhalde afirmou que o dólar deveria ficar próximo do valor em que é comercializado no Brasil.
Na sexta-feira, o dólar fechou vendido no mercado livre a 2,85 pesos. Para Todesca, a alta do dólar tem um reflexo de 30% sobre o resultado final da inflação. É correto (que um dólar a 2,50 pesos representará uma inflação de 45% no ano), mas isso acontece aos poucos, não vai ser registrado no mês que vem. Os preços sobem menos que o dólar, afirmou Todesca.
A admissão do governo de que os preços ficarão bem acima das projeções iniciais assusta os argentinos, que têm de conviver com a volta da inflação sem a perspectiva de reajuste salarial.


