Curitiba - Os representantes das secretarias estadual e municipal de Educação rebatem as acusações de mau desempenho do ensino público apontando as responsabilidades também do outro lado. Eles alegam que as escolas e professores têm autonomia para gerenciar o ensino, e que podem interferir a qualquer hora, fazendo mudanças quando julgam que os alunos não estão aprendendo o quanto deveriam.
O superintendente da Secretaria Municipal, Jaci Bombonato Machado, entretanto, já afirmou que em 2003, depois que as escolas realizarem eleições para os novos diretores, a prioridade da secretaria será ''repensar os ciclos''. A idéia, segundo ele, é fazer uma ampla discussão com os diretores para levantar os problemas e dificuldades que as escolas estão enfrentando.
Apesar de a secretaria ainda não ter uma comparação sobre o desempenho dos alunos nos dois sistemas de ensino, dados do Sistema Nacional de Avaliação Básica (Saeb) mostram que, no Paraná, a pontuação média dos alunos de 4 série em Língua Portuguesa foi de 197 em 1995, caindo para 180 em 1999. Em Matemática a média também caiu de 198 em 1995 para 187 em 1999. Feito por amostragem, o Saeb inclui alunos das escolas municipais, estaduais e particulares.
Segundo Machado, a reformulação do Plano de Cargos e Salários, feita no ano passado, acabou com o quadro de professores temporários existentes, realizou concurso, efetivou quase 8 mil professores e determinou a alocação de um professor para cada 19 alunos, além de professor de educação física, equipe pedagógica e diretor. Hoje, a média é de 15 alunos por turma. ''Quem está com mais alunos é porque não soube remanejar seu pessoal de forma adequada'', diz.
Na defesa do sistema ciclado, ele lembra que o índice de reprovação nacional nas 1 e 2 séries chegou a 76% em âmbito nacional, caindo para 67% no Brasil atualmente, sendo que em média 80% destes acabam abandonando a escola. ''Esta situação chegou a ser chamada de 'genocídio intelectual' por uma professora da Universidade de São Paulo'', afirma, defendendo a implantação do sistema ciclado como meio de reduzir as repetências e evitar a evasão.
A responsável pelo Departamento de Ensino Fundamental da Secretaria Estadual de Educação, Marlene Comin de Araújo, também ressalta que a responsabilidade de ensinar é do professor e ele é quem deve definir o ensino e o conteúdo que vai passar a seus alunos. ''É ele que tem que se organizar, se preparar para estas situações'', afirma. Sobre o programa de correção de fluxo, ela lembra que trata-se de um programa temporário, criado em 97 para tentar readequar cerca de 220 mil alunos que estavam com idade e série incompatíveis. Ela acredita que a tendência é reduzir cada vez mais estes números. (M.G.)

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