Com queda de receita nos primeiros dois meses do ano o Governo não faz o que devia fazer: reduzir os gastos abusivos, mas anuncia corte de investimentos. Assim, ao invés de punir-se por via de um sacrifício dos gastos desnecessários, pune a nação diminuindo obras e anunciando corte nas desonerações fiscais. Usa de um sofisma, que é o falso com aparência de verdadeiro, porque imagina que o povo vá aceitar isso: havendo diminuição do volume de arrecadação não há outro remédio senão cortar empreendimentos.
Reduzir substancialmente o custo da máquina pública não é um processo rápido, mas isso precisa ser iniciado. Sobra pouco dinheiro para obras num país que tem oito milhões de servidores (e apaniguados) oficiais - desde o office-boy de uma prefeitura até o presidente da República - e mais a onerosa infraestrutura instalada, em boa parte desnecessária, mais os salários astronômicos de muitos, as verbas indenizatórias, os superfaturamentos, o desperdício, as mordomias, a corrupção e assim por diante.
Por isso o Governo, agora que caiu uma parte da receita, nem cogita de cortar os gastos extravagantes - o que propiciaria mais sobra de dinheiro para investimentos de interesse público e melhoria da qualidade dos atendimentos sociais. Se há queda de arrecadação, óbvio que há menos dinheiro e, em tal circunstância, a boa política - adotada, por exemplo, na economia doméstica - é diminuir despesas até onde for possível. Mas isto o Governo não faz, então tenta enfiar goela abaixo da população o que é uma verdade apenas pela metade. Por um processo gradual seria possível reduzir substancialmente uma fatia do custo da administração governamental em todos os escalões porque em tudo há excessos. A exceção são os quadros funcionais da saúde, da educação e da segurança e as instalações e equipamentos destes setores fundamentais. Obras do PAC serão atingidas, pelos indicativos do Governo, então seria a hora de chamar a mãe desse pacote (título outorgado pelo próprio presidente da República), a ministra Dilma Rousseff, que Lula quer ver eleita em 2010 para sucedê-lo.
O Governo acena que vai rever a redução dos subsídios, mas é óbvio que não fará o mesmo com o que a estrutura governamental onerosa e de baixa operância que gasta abusivamente, aí incluída a ''despesa'' adicional embutida na corrupção. Lula prega ''ousadia e coragem'', mas a sua equipe monetária não hesita em mudar de curso ao menor sopro de vento contrário.
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