As constantes medidas de elevação do juro básico, visando conter uma corrida às compras e a investimentos, nada mais são que medo do crescimento, um mal que já afetou governos anteriores especialmente o de Fernando Henrique Cardoso e agora ronda o ''staff'' econômico do presidente Lula. Esta é uma mentalidade dominante, sobretudo, nas mentes dos economistas e consultores e que contagia alas decisórias do governo. E assim, por conta da contenção, juros sobem e a economia se desacelera, gerando toda a sorte de fenômenos inerentes. O comércio passa a vender menos, como consequência as fábricas diminuem o ritmo de produção, fornecedores também se retraem, empregados são demitidos, o governo arrecada menos impostos, consequentemente impõe aumento de taxas, menos obras públicas são realizadas, e assim se processa uma nefasta reação em cadeia. Já se disse dos economistas e dos analistas econômicos, pela voz de segmentos do próprio meio, que eles são os que menos entendem de economia e de soluções salvadoras, e que a entendida mesmo é a lei de mercado. Ou seja, quanto mais o povo consome, mais veloz a roda econômica gira, e assim o desenvolvimento se implanta. Medidas impeditivas do consumo, ao contrário, só conduzem à miséria. Nações desenvolvidas são aquelas onde há consumo e aquisição de bens. Elas consomem não por que são ricas, mas ficaram ricas porque adotaram o sábio princípio de produzir e consumir, de consumir e mais produzir, uma coisa puxando a outra. Se a produção passar a acompanhar o ritmo do consumo, não haverá escassez de produtos, e essa lei sábia de equilíbrio regerá o mercado, portanto sem risco de inflação. O que dita a elevação de preços não é o aumento do consumo e sim a eventual falta de produtos. Se houver suficiência de produção ninguém reterá estoques com o fito de especular, e assim não haverá risco de altas de preços, pois esse fenômeno em hipótese alguma ocorre quando há equilibrada oferta. Se o processo não se iniciar ou seja, deixar o consumismo solto sem tentativas de brecá-lo por via de medidas impedidoras não haverá estímulo e segurança para o aumento da produção. Se houver altas eventuais na arrancada de uma corrida ao consumo, um mercado de oferta igual à procura logo as eliminará, por um processo natural, que não dá guarida a especuladores. O que o governo deve fazer é dar liberdade à lei da demanda, não barrando a dinâmica do consumo e estimulando o setor produtivo, por todas as formas financiamento compatível, juro baixo, diminuição tributária. Se esta é uma fórmula que guindou para o desenvolvimento e a riqueza países antes estagnados e pobres, então o exemplo deve ser seguido. Ocorre que, melhor que se debruçar na descoberta e aplicação de políticas públicas de desenvolvimento que exigem conhecimento e competência o governo opta por aumentar o juro básico, o imposto, e assim transforma-se em agente gerador de miséria.

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