O secretário-geral da Presidência, Arthur Virgílio, fará esta semana mais uma tentativa de entendimento sobre a correção da tabela do Imposto de Renda. A posição do governo ficou clara na última quinta-feira, quando o presidente Fernando Henrique Cardoso anunciou, por intermédio de líderes governistas, que não vetará uma correção de 20%. No entanto, o reajuste trará grande problema ao governo: um ''buraco'' de R$ 3,3 bilhões nas contas de 2002.

O projeto que corrige a tabela do IR deverá entrar na pauta de discussão da Câmara esta semana, caso as votações do Congresso sejam finalmente destravadas com a votação, prevista para amanhã, do projeto de lei que altera a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT). O deputado Ney Lopes (PFL-RN), relator do projeto de lei sobre o assunto na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), diz que o debate do IR deve ''esquentar'' assim que for encerrada a votação da CLT.

O secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Amaury Bier, comentou que seria difícil encontrar uma alternativa diferente da proposta apresentada há cerca de um mês pelo secretário da Receita Federal, Everardo Maciel. Ela combinava a correção da tabela com a criação de novas alíquotas, de 30% e 35%, para evitar perdas muito grandes de receitas.

Everardo disse que, mantida a lógica de sua proposta, é possível fazer ''infinitas'' combinações diferentes para se tentar achar alguma que o Congresso ache aceitável. No entanto, nenhum dos dois secretários trabalhava, na semana passada, na busca de uma nova proposta. Nada lhes havia sido encomendado pelo Planalto, onde as atenções estão 100% voltadas para a CLT.

O deputado Benito Gama (PMDB-BA), um dos principais articuladores da proposta de correção de 20% defendida pela aliança PFL-PMDB e partidos de oposição, já tem pronto o texto com essa proposta. Ele será apresentado como uma emenda substitutiva ao projeto de lei do IRPF já aprovado nas comissões da Câmara, que prevê uma correção de 35,29%, quando este for discutido no plenário da Casa. A aliança PFL-PMDB já tem colhidas as assinaturas para solicitar que a matéria seja apreciada em regime de urgência.

Um forte argumento que o governo deverá usar para sensibilizar os congressistas é que a conta da correção da tabela do IR em 20% ficará com o próprio Congresso. Dos R$ 4,5 bilhões previstos para atender as emendas estaduais de interesse dos governadores, prefeitos, deputados e senadores , as bancadas perderiam R$ 3,3 bilhões, o equivalente à queda na arrecadação estimada oficialmente.

''Vamos mostrar aos líderes partidários que o reajuste da tabela do IRPF será uma catástrofe para as emendas estaduais, principalmente em um ano eleitoral'', afirmou ontem o relator-geral do Orçamento do próximo ano, deputado Sampaio Dória (PSDB-SP). Ele e o líder do governo na Câmara, deputado Arnaldo Madeira (PSDB-SP), deixaram claro que o presidente Fernando Henrique colocará em prática a saída anunciada na semana passada aos líderes governistas: fazer o Congresso pagar a conta da correção, cortando as emendas estaduais em vez do vetar o projeto de lei prevendo a correção do IR.

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